Trinta anos a escrever a história da família
Maria de Lurdes Leitão Bandeira Pires, uma professora de Geografia, natural de Bragança, demorou cerca de 30 anos a escrever a história da sua família. Estas décadas foram passadas a fazer uma investigação aturada, que passou pela recolha dos elementos e das fontes para traçar a árvore genealógica da linhagem familiar Leitão Bandeira, uma das mais ilustres do concelho de Bragança, possuindo mesmo cartas de armas.
Trata-se do livro “A Família Leitão Bandeira de Bragança”, que tem origem nos Bragançãos, de Castro de Avelãs, fundadores da cidade de Bragança, sendo que o antepassado que deu origem à família Bandeira participou na Batalha do Toro, que ocorreu no século XV e opôs o Rei D. Afonso V aos castelhanos, onde lhe amputaram as mãos quando se recusou a largar a bandeira das tropas portuguesas. “Demorou a descobrir onde estava o ramo A ou B, chegou a haver alturas em que no mesmo arquivo eu não encontrava o material. Numa situação, após três anos a investigar um documento, que não conseguia encontrar e me diziam que não existia, acabei por encontrá-lo. Encontrei livros fora do sítio”, explicou a autora, que foi persistente na sua empreitada.
A publicação do livro foi apoiada pela Câmara de Bragança e apresentado publicamente na passada quinta-feira, no Auditório do Conservatório de Música, que se encheu de amigos e familiares.
“Desde miúda sempre ouvi dizer à minha mãe que a família Leitão Bandeira tinha sido uma família fidalga, mas eu não ligava nada a isso. Foi numa visita de estudo nas Ruínas do Carmo, em Lisboa, que fui abordada por um indivíduo que me fez saber que era meu familiar e me falou na linhagem da família Bandeira e que me enviou uns documentos”, referiu.
Autarquia suportou o custo da edição de 500 exemplares
Mais tarde, Maria de Lurdes Bandeira Pires dedicou-se a fazer investigações na Torre do Tombo. “Ali confirmei que o que estava nos documentos era verdade”, acrescentou. Foi nessa altura que nasceu a curiosidade para traçar a árvore genealógica da família. “Parece que nasce uma espécie de bichinho dentro de nós, comecei a pesquisar, a aprender, a ir à chancelaria, aos livros notariais, aos registos paroquiais. Nunca mais parei”, adiantou. Porém, traçar o passado da família é um trabalho que nunca está completo, mesmo agora que as investigações foram vertidas em livro. “Qualquer trabalho em genealogia é sempre incompleto porque esta segue uma progressão geométrica”, justificou a autora.
O presidente da Câmara de Bragança, Jorge Nunes, referiu que a autarquia suportou o custo da edição de 500 exemplares por se tratar de “informação relevante para investigações futuras”. A história da cidade faz-se com a história das famílias”, sublinhou.
O município já publicou mais de 30 livros em edição própria. “São indispensáveis, porque sem que o conhecimento seja sistematizado e escrito, não se pode transmitir”, explicou o autarca.
G.L.