ALDEIA atrai turistas à região
O Outono é a época da apanha dos cogumelos e a associação faz questão de assinalar esta data, até porque a micologia atrai pessoas de diferentes pontos do País. Este ano, o Encontro Micológico, marcado para o ultimo fim-de-semana de Novembro, é transfronteiriço. A acção envolve associações dos dois lados da fronteira e as actividades também decorrem na zona do Planalto e em Rabanales (Zamora), onde há um Centro de Interpretação Micológico. “Vai ser um curso muito prático, para dar a conhecer as espécies”, frisa a vice-presidente da ALDEIA, Isabel Sá.
A micologia é uma temática aliciante para os sócios. Durante as jornadas no campo à procura das espécies, os participantes têm oportunidade de conviver com as pessoas que residem nas aldeias do Nordeste Transmontano. “Cria-se uma empatia entre quem vem de fora e os residentes nas nossas aldeias. No caso dos cogumelos, a comunidade local também apanha cogumelos e são eles que têm maior conhecimento de onde os podemos encontrar. Já nós tentamos transmitir-lhe outro tipo de conhecimentos, como por exemplo as formas mais correctas para os colher”, salienta Isabel Sá.
Esta relação de proximidade com as gentes do Mundo Rural leva os turistas a regressar. “Encontramos muitas vezes os sócios da ALDEIA a visitar a região noutras ocasiões. Dizem que na primeira vez que estiveram cá gostaram, pelo que decidiram voltar”, realça João Rodrigues, vogal da colectividade.
O leque de actividades desenvolvido pela associação é diversificado, havendo iniciativas direccionadas para públicos diferentes. “Vamos fazer um curso de anilhagem científica, que é direccionado para um público mais específico. Já o curso de fotografia na natureza é mais abrangente”, exemplifica João Rodrigues.
Centro de Educação Ambiental de Vila Chã da Ribeira (Vimioso) está parado por falta de financiamento
No entanto, a missão da ALDEIA, que significa Acção e Liberdade, Desenvolvimento, Educação e Investigação pelo Ambiente, não se fica pelas iniciativas realizadas no distrito de Bragança. A associação está envolvida no projecto RIAS, no Parque Natural da Ria Formosa, através de um protocolo com o Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade e com a ANA- Aeroportos de Portugal, e no Parque Natural da Serra da Estrela participa na gestão do CERVAS. Trata-se de dois centros de recuperação de fauna, que permitem à ALDEIA criar postos de trabalho.
“São pólos específicos de uma actividade que a associação está a desenvolver ao nível da recuperação de fauna. Isso não quer dizer que lá não realizemos também outro tipo de actividades, como é o caso do curso de cogumelos, que também realizamos na Serra da Estrela”, enaltece João Rodrigues.
Em curso está, ainda, uma candidatura para a associação desenvolver um projecto semelhante nas Dunas de S. Jacinto, na zona de Aveiro.
No Nordeste Transmontano, a ALDEIA também está a tentar erguer o Centro de Educação Ambiental de Vila Chã da Ribeira, em colaboração com a Câmara Municipal de Vimioso. “Neste momento está parado por falta de financiamento”, lamenta João Rodrigues.
A ideia é reaproveitar a antiga escola primária daquela aldeia e criar um centro de interpretação da cultura local, da fauna, da flora e paisagem. “Já houve um primeiro campo de trabalho com voluntários para reconstruir a escola. É uma ideia que está de pé e que queremos concretizar”, sublinha o vogal da ALDEIA.
João Rodrigues afirma, ainda, que a associação tem muitos projectos em cima da mesa, mas o principal obstáculo para a sua concretização é o financiamento.
Em tempo de crise, as actividades desenvolvidas pela associação são muito concorridas, apesar das acções que já decorreram ao longo deste ano terem registado um ligeiro decréscimo no número de participantes.