«Aqui jaz a minha casa»
A acção desenrola-se numa aldeia abandonada e acompanha o último dia de um homem que tem como única companhia o seu cão Tobias e as recordações de outrora.
“Esta ideia surgiu numa conversa de café em que o Rui sugeriu uma imagem para a exposição de fotografia que Aurora estava a produzir sobre Trás-os-Montes para a Festa do Avante. Como a imagem sugerida não se enquadrava no conceito da exposição, mas estava muito rica em detalhes e história, decidiu-se, então, aproveitá-la para algo maior”, revelam. Da fotografia, nasceu a curta-metragem e, a partir do conto que Aurora escreveu, Rui fez o argumento.
Assim surgiu a curta-metragem, que entretanto virou média, sobre o despovoamento e a solidão a que as gentes das aldeias estão cada vez mais vetadas. “Sem querer revelar o final, a história retrata o último dia de um velho que vive sozinho numa aldeia. É sobre o despovoamento nas aldeias e é esse tema que tentámos dramatizar ao máximo, procurando chocar as pessoas”, desvenda Rui.
Sendo naturais da terra transmontana, Aurora e Rui decidiram avançar com este projecto sem apoios financeiros, numa tentativa de alertar para um problema social inquietante e actual, assim como dar a conhecer a região de onde são naturais. “Tentámos arranjar apoios, mas conseguimos, apenas, o alojamento, por parte da Câmara Municipal de Vinhais, as autorizações da Junta de Freguesia de Vilar de Ossos e um almoço da Junta de Tuizelo”, recordam os jovens.
Jovens avançaram sem apoios financeiros, alertando para
um problema social inquietante
e actual
Com uma duração máxima de 35 minutos, o protagonista do filme é o actor/encenador Leandro do Vale, o mítico director artístico da companhia «Teatro em Movimento». “Ele adorou, achou muito interessante o projecto e avançámos”, afirma Rui. Para além de Aurora, Rui e Leandro do Vale, a equipa é constituída por mais dois elementos de Braga: o director de fotografia, Tiago Ribeiro, e o operador de câmara, Sérgio Castro.
Quanto à apresentação da média metragem, ela será enviada para alguns dos principais festivais nacionais e internacionais para ser exibida, em princípio, no próximo ano.
Os jovens transmontanos aproveitam para agradecer a todos aqueles que os apoiaram e “ajudaram de boa vontade”, inclusive, a Teresa Martins, que cedeu a sua casa e às Juntas de Freguesia de Vilar de Ossos e de Tuizelo.