“Todos devem pagar portagem”
As declarações do social-democrata foram proferidas, na passada segunda-feira, à margem de uma sessão sobre a revisão do programa do partido.
Na óptica do antigo ministro de Cavaco Silva, em qualquer região do País, por menos desenvolvida que seja, as pessoas que têm automóvel não são as mais pobres dessa região. “ Por isso, não percebo como é que aqueles que têm automóvel não pagam portagens”, defende o social-democrata.
Mira Amaral vai mais longe e diz mesmo que é “um erro” não fazer pagar portagens, porque isso levaria à situação “caricata” de andarem os espanhóis nas nossas estradas, que são pagas pelos contribuintes portugueses. “Chegamos ao ponto de termos magníficas estradas que são usadas pelos espanhóis e pagas pelo contribuinte português”, assevera o ex-ministro.
Segundo Mira Amaral devem ser usados outros instrumentos de discriminação positiva das regiões menos desenvolvidas, nomeadamente ao nível do IRS para as famílias e do IRC para as empresas, apoios financeiros e manutenção de serviços públicos vitais para as regiões do interior.
Jorge Nunes defende a isenção de portagens para os residentes no distrito de Bragança até os rendimentos da região se aproximarem da média nacional
Visão diferente tem o presidente da Câmara Municipal de Bragança, Jorge Nunes, que concorda com Mira Amaral no que toca às medidas de apoio para as regiões menos desenvolvidas, mas considera que a isenção do pagamento de portagens para os residentes nessas regiões é uma questão de justiça.
“A zona do litoral foi construindo com dinheiros públicos e todos contribuíram para o bem-estar e para a promoção da economia nessas zonas. É justo que tendo o nosso distrito ficado para trás ao nível do Plano Rodoviário Nacional, que ocorra agora uma discriminação positiva”, defende o edil.
Na óptica do autarca, a isenção do pagamento de portagens deve manter-se até o desenvolvimento da região se aproximar da média nacional.
Além disso, Jorge Nunes lembra que a Auto-Estrada Transmontana vai ser construída em mais de 60 por cento em cima do IP4, o que deixa a população, com parcos recursos económicos, sem alternativa.
TERESA BATISTA