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“Pareciam formigas a entrar no autocarro”

“Pareciam formigas a entrar no autocarro”
  • 21 de Setembro de 2010, 10:30

Marco Gonçalves e outro empresário de Bragança embarcaram em Lisboa num cruzeiro rumo a Gibraltar, Málaga e Ceuta, mas o destino deixou-os à margem da tragédia. “Nós adormecemos e fomos até Ceuta tomar o pequeno-almoço, mas a pé. Daí não termos ido a esse passeio”, afirma o empresário.
Mesmo assim, conta cenas de horror nos momentos após o acidente, com base nos relatos que lhe chegaram pelos companheiros de viagem.
“Dois minutos após o autocarro cair, apareceram, logo, vinte e tal marroquinos que assaltaram os mortos e os feridos. Dinheiro, documentos, máquinas de filmar, fotográficas, telemóveis… Levaram tudo!”, assegura o jovem empresário.
“Uma senhora disse-me que pareciam formigas a entrar no autocarro. Pensaram que os marroquinos estariam ali para os ajudar, mas o que eles fizeram foi agarrar em tudo aquilo que puderam e fugir”, recorda Marco.

“Dinheiro, documentos, máquinas de filmar, fotográficas, telemóveis… Levaram tudo!”

Segundo o empresário, há algo mais que pode explicar as causas do acidente, para além da velocidade, nevoeiro e óleo na estrada. “Durante o percurso, o motorista teve várias discussões com condutores de outras viaturas e houve, até, um autocarro que não fazia parte do grupo e que chegou a tentar empurrar o autocarro dos portugueses para fora da estrada”, afiança Marco Gonçalves, que vai mais longe nos relatos: “um autocarro que se despista numa auto-estrada com centenas de metros de descampado e encontra óleo, precisamente, naquele local, onde existe uma ravina, é, no mínimo, estranho”, defende, ao mesmo tempo que fala de “rivalidades” entre empresas concorrentes de transporte de passageiros.
Revoltado com toda a situação, desabafa: “No regresso, estavam pessoas a precisar de assistência e eles só queriam ver a documentação para os deixar passar. Havia muitos a sangrar, a gritar, e eles só queriam ver a documentação. Foram desumanos!”, considera o empresário.

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