“Médicos não querem um hospitalinho”
Esta melhoria permitiu reduzir as listas de espera, mas o presidente do conselho de administração do CHNE não está satisfeito, e quer baixar ainda mais. Para o efeito serão investidos mais de 500 mil euros para realizar um programa de produção “adicional e excepcional”, na área da Ortopedia para reduzir “significativamente” as listas de espera naquela especialidade médica.
A procura de cirurgias na área de Ortopedia é muito grande, admitiu Henrique Capelas, uma situação que está relacionada com o envelhecimento da população. “Somos uma região com um índice de envelhecimento muito grande e muito superior ao do país. Temos 150 mil pessoas dispersas, com graves problemas de acessibilidades”, lamentou.
Aliás, para o responsável pelo CHNE todos estes factores contribuem para a saúde na região “seja cara, o que causa enormes constrangimentos e problemas, porque tem características muitas diferentes, onde as patologias na área óssea se manifestam mais, dado o elevado envelhecimento da população”.
Actualmente, a unidade dispõe de 11 cirurgiões de Ortopedia. Mesmo assim, continua a ser uma das áreas com maiores listas de espera, “que deve ficar resolver com o programa adicional, pois a procura é muita”, sublinhou.
CHNE vai assinar protocolos com a Universidade do Porto para receber médicos em regime de internato
Paradigmático é o caso de Oftalmologia, cujas listas de espera reduziram, uma vez que o CHNE registou um dos maiores crescimentos no país ao nível da cirurgia de ambulatório. “Eliminámos completamente as listas de espera de cataratas, apenas com recursos nossos”, frisou.
Ainda assim continuam a existir listas de espera em outras especialidades, nomeadamente na Otorrinolaringologia, “que estamos a tentar resolver”, asseverou o presidente do CHNE.
Quanto à falta de médicos, Henrique Capelas, diz que, lentamente, o problema está a ser resolvido. “Estamos constantemente a trabalhar nisso. Com o tempo vai resolver-se, sustenta o responsável.
Nesta matéria, a criação do CHNE foi decisiva, pois deu dimensão e massa critica. “Não pensem que o hospital de Bragança, de Mirandela ou de Macedo de Cavaleiros, só por si, podiam sobreviver. Não exerciam o mínimo de atractividade nos jovens médicos, que não querem vir para um ‘hospitalinho’ com esta dimensão ”, atestou.
Em breve o CHNE vai assinar protocolos com a Universidade do Porto com vista a receber médicos em regime de internato.
Glória Lopes