«As Vozes do Silêncio»
Integrado no ciclo de cinema «As Vozes do Silêncio – Trás-os-Montes no Cinema e no Museu», este é o seu primeiro documentário, concebido na década de 60, na aldeia de Curalha, concelho de Chaves, e retrata uma encenação da população sobre a Paixão de Cristo.
Com 101 anos, Manoel de Oliveira, é um dos realizadores mais antigos da cinematografia mundial e espera concretizar mais dois filmes num futuro próximo. Com cerca de 50 curtas, médias e longas metragens, feitas, sobretudo, a partir dos seus 60 anos, este “Senhor” da Cultura Portuguesa, agraciado em todo mundo com prémios e homenagens, dispensa apresentações.
No âmbito do Ciclo de Cinema, foram mais sete os filmes e documentários visionados. «Sabores», «Máscaras», «Matar Saudades», «Margens», «Veredas”, «Terra Fria» e «Ana» foram as películas em exibição. De 1 a 4 de Setembro, as pessoas tiveram oportunidade de assistir a duas sessões diárias, com entrada gratuita. Alguns dos trabalhos contaram com a presença dos seus realizadores, como foi o caso de Regina Guimarães e Saguenail («Sabores»), Noémia Delgado («Máscaras»), Manoel de Oliveira («Acto de Primavera») e Ana Cordeiro Reis («Ana»).
“Acho notável tanta afluência. O Museu que eu conheci transformou-‑se completamente nestes últimos tempos e é importante que as pessoas venham, porque a maior parte delas ignora por completo os filmes feitos na sua região”, sublinha Saguenail, o realizador de origem parisiense que chegou a Portugal em 1975.
Este ciclo é uma mostra rica e diversificada, levada a cabo pela primeira vez pelo MAB, cuja programação esteve a cargo de António Preto.
Museu abriu as portas
ao público para exibir filmes rodados na região transmontana
A directora do MAB, Ana Maria Afonso, mostrou-se satisfeita com a forma como decorreu o Ciclo de Cinema. O dia mais concorrido foi a passada quinta-feira, o dia em que os jardins do museu receberam cerca de 250 pessoas para assistiram ao filme “Acto de Primavera”, que contou com a presença do realizador.
Quanto à presença de Manoel de Oliveira, Ana Maria Afonso confidencia: “Quando eu pensei na mostra, surgiu essa hipótese de trazer alguns realizadores, entre eles Manoel de Oliveira. Eu nunca pensei que se concretizasse, mas foi fantástico. É um orgulho e um momento histórico na história do museu e desta cidade. Espero bem que as pessoas tenham essa percepção e que valorizem esse gesto”.