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Tradições guardadas em museus

Tradições guardadas em museus
  • 24 de Agosto de 2010, 09:45

As peças antigas ligadas à lavoura dão as boas-vindas a quem visita o museu etnográfico de Agrochão, no concelho de Vinhais. Estes espaço mostra grande parte das tradições desta freguesia, que tem orgulho em preservar as memórias de antigamente para deixar a herança às gerações mais novas.
A recriação da segada e da malha à moda antiga para fazer um filme que fará parte do espólio do museu, é uma das iniciativas que mostra a vontade do povo em manter vivas as memórias de outros tempos. “Ainda temos moinhos junto ao rio e estamos a preparar a recriação da moagem dos cereais à moda antiga também para fazer um filme”, enaltece o presidente da Junta de Freguesia de Agrochão, Manuel Dinis.
Numa visita ao museu guiada por Leandra Pereira, uma filha da terra que depois de terminar os estudos decidiu regressar, ficamos a conhecer a riqueza desta freguesia. A imponência de um carro de bois apetrechado para o transporte das uvas até ao lagar salta à vista, tal como as cangalhas em madeira, que eram usadas para transportar os cântaros cheios de água em cima dos burros.
Os candeeiros e as candeias a azeite ou a petróleo remontam aos tempos em que a luz eléctrica era uma miragem. Os serões eram passados à lareira a fazer meias em lã ou as tarefas do campo à luz da candeia.
Já no andar de cima encontramos uma cozinha apetrechada à moda antiga, onde não faltam os tradicionais potes de ferro, a cama de ferro, bem como peças mais peculiares, como é o caso de um ferro de passar a carvão.

Agrochão apela a beneméritos que queiram apoiar as obras na igreja matriz, que é o ex-libris da freguesia

Na sala ao lado encontramos uma exposição temporária dedicada ao ciclo do pão, mas antes de admirar estas peças com sinais evidentes de longevidade no tempo não podemos deixar de reparar num rádio antigo, a peça de eleição deste mês para assinalar os 75 anos da rádio, bem como no símbolo dos tempos romanos. “A Ara foi encontrada na sacristia da igreja. É uma espécie de altar e foi mandada fazer por um senhor que fez uma viagem e como conseguiu regressar mandou fazer esta Ara para homenagear os deuses”, explica Leandra Pereira.
Mais abaixo encontramos o Museu do Azeite, um antigo lagar que foi transformado num espaço museológico para mostrar o processo de transformação da azeitona no afamado tempero dourado. “Ainda me lembro de fazer aqui torradas”, recorda Carmelina Gomes.
Na visita a esta aldeia não podemos deixar de apreciar a beleza exterior e interior da igreja matriz, que remonta ao século XVIII. Aqui foram feitas obras recentemente, mas ainda é preciso outra intervenção para dignificar o valor deste património. “Ainda falta o restauro da capela-mor e dos painéis colocados no tecto”, reconhece Olema Gomes.
No entanto, antes de avançar com mais trabalhos no templo, a Comissão Fabriqueira ainda tem que angariar fundos para acabar de pagar as obras realizadas na primeira fase. “Faço um apelo a quem nos puder dar um apoio. Gastámos aqui muito dinheiro”, acrescenta esta habitante que faz parte da Comissão Fabriqueira.
A fé da população estende-se, ainda, aos dois santuários onde são venerados a Senhora da Piedade, o Senhor dos Passos e a Senhora do Areal.
“A festa da Senhora da Piedade é no terceiro domingo de Setembro. A procissão sai da igreja até ao santuário. É uma festa muito bonita”, enaltece Carmelina Gomes.
Para embelezar ainda mais a freguesia, o presidente da Junta afirma que gostaria de terminar o parque de merendas junto ao rio Fragoso e pavimentar os acessos aos santuários e ao rio, onde, no Verão, se junta a população de Agrochão e de Murçós (Macedo de Cavaleiros).

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