Museu do Côa, finalmente
José Sócrates, acompanhado pelas ministras da Cultura e do Ambiente, declarou ainda, durante uma visita a Vila Nova de Foz Côa, na passada sexta-feira, que o novo museu “vai servir a cultura nacional” e é “um hino ao respeito pela memória, pela arqueologia, mas também uma afirmação de modernidade e de contemporaneidade e é isso que se esperava deste museu”.
À chegada a Foz Côa, José Sócrates foi recebido com aplausos e vivas por parte de muitos populares que se encontravam no local, e que mostravam assim a sua satisfação pela abertura do museu, cujo processo de construção teve inicio em 1998, depois da polémica que suspendeu a construção da barragem devido aos protestos de ambientalistas e de especialistas em arte rupestre.
A intenção de edificar o museu surge na sequência da criação do Parque Arqueológico do Vale do Côa, seguida em 1997 pela Candidatura da Arte Rupestre encontrada na zona a Património Mundial da Humanidade, classificação atribuída pela UNESCO em 1998. Na altura, o ministro da Cultura era José Maria Carrilho.
Ficou decidida a localização na Canada do Inferno, sensivelmente na mesma zona para onde esteve para ser edificada uma barragem hidro-eléctrica, ideia que acabou por ser abandonada por decisão do Governo de José Sócrates. O concurso público foi lançado em 2004 e a obra de construção iniciou-se em Janeiro de 2007, com projecto arquitectónico da autoria de Pedro Tiago Lacerda Pimentel e Camilo Bastos Rebelo.
Helena Canavilhas salientou que a obra foi feita “sem derrapagens financeiras”, acrescentando que se trata de “um museu de arte virado para o futuro, além de ser um equipamento sofisticado”, que vai ser gerido por uma fundação, com constituição já aprovada pelo Conselho de Ministros.
A construção do edifício custou 18 milhões de euros, uma politica de forte contenção de despesas permitiu uma redução de 30 milhões de euros relativamente aos valores inicialmente estimados.
O equipamento cultural passa a ser o principal ponto de acolhimento do Parque Arqueológico do Vale do Côa (PAVC).
Foi construído com o objectivo de divulgar e contextualizar os achados arqueológicos daquele vale descobertos em 1994 e que estiveram na origem da suspensão das obras de construção da barragem, intenção que deu azo a grande polémica que mobilizou os portugueses tendo ficado célebre o chavão usado pelos estudantes em cartazes “as gravuras não sabem nadar”.
Conteúdos apresentados
com tecnologia multimédia
O projecto tem um cariz escultórico assumidamente contemporâneo e apresenta uma organização compacta e uma estrutura funcional assentes em opções infraestruturantes, “tal como se fosse uma fraga”, destacou o primeiro-ministro.
O museu é composto por quatro pisos que englobam auditório, serviço educativo, área administrativa, loja e salas expositivas. Incorpora um miradouro sobre o Vale do Côa. Dispõe de uma sala de exposições permanentes, onde o ambiente temático é definido pela Arqueologia que se traduz em abordagens como a imagem, arte, cultura, território e paisagem. A apresentação dos conteúdos assenta na tecnologia multimédia, com recurso à fotografia e ao desenho.
Glória Lopes