A música como pão para a boca na Lombada
O mais antigo festival do distrito de Bragança tem mantido a genuidade e o livre acesso a quem quiser participar, sem qualquer tipo de custo. O objectivo continua a ser o de dinamizar a Lombada e, por breves momentos, trazer as vivências de antigamente para o presente, onde todos são chamados a participar. “Os mais velhos podem matar saudades, os mais novos aprender como foi, uma vida dura em que se passavam os meses de Julho e Agosto a ceifar e a malhar”, referiu Raul Tomé, responsável pela organização.
A realização do evento continua a envolver toda a população da aldeia, que organiza a feira de artesanato, a recriação das várias actividades agrícolas, como a segada, malhada e todo o ciclo de confecção do pão, bem como a preparação das merendas e refeições. A selecção dos músicos que participaram ficou a cargo de Paulo Preto, dos «Galandum Glundaina», que este ano convidou «Campo Áspero» (Espanha) e «Pé na Terra».
Realizou-se ainda o «12.º Encontro de Gaiteiros e Tocadores do Nordeste» e uma sessão de toques religiosos no sino da igreja. O orçamento é baixo, não vai além dos nove mil euros. “Queremos um festival cultural, sem multidões, onde quem vem possa participar, a aldeia é pequena, também torna o festival diferente dos outros”, adiantou o vice-presidente da Câmara de Bragança, Rui Caseiro.
Nesta altura, Palácios revive tempos de outrora. Adriano Rodrigues já não ceifava há mais de 40 anos e a possibilidade de participar nesta actividade, realizada no passado sábado, encantou-o. “As últimas vezes que andei nesta lide teria uns 17 anos, mas não me esqueci, ainda me safei. Foi um reflexo, nem precisei de pensar como se fazia”, contou.
“Queremos um festival cultural, sem multidões, onde quem vem possa participar”
Para Adriano Rodrigues, a iniciativa é “muito importante” pois permite mostrar aos mais novos “como foi a vida difícil de pais e avós, com muito trabalho, mas era do pão que se vivia”, acrescentou.
Raul Tomé explicou que o sistema do festival se mantém o mesmo, “só mudam os grupos e a música”. Por outro lado, também notou que cada vez mais gente vai à Lombada nestes dias.
“Vêm de vários pontos da região, das aldeias vizinhas, de outros concelhos e até do estrangeiro”, referiu ainda o organizador do festival.
Rui Caseiro frisou que, mais uma vez, o «Festival da Lombada» manteve o seu nível “de qualidade de realização, que permite associar a música tradicional e as actividades agrícolas”.
Apesar de ter uma organização local “é de âmbito nacional e internacional”, observa.
Glória Lopes