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Construtor de instrumentos medievais

Construtor de instrumentos medievais
  • 25 de Maio de 2010, 09:24

Primeiro surgiram os pandeiros, objectos de carácter estritamente individual, quase sempre tocados por mulheres para acompanhar canto ou dança, feitos em pele e madeira com dimensões variáveis.
“Comecei por me dedicar à construção de pandeiros por necessidade de ter no grupo um instrumento com uma sonoridade única. O meu avô já construía estes pandeiros e não são fáceis de encontrar. Os que há estão em museus”, recorda o músico. Nos dias de hoje, estes instrumentos já são utilizados por várias formações folk de Norte a Sul do País, que tiram partido da sonoridade que está associada a cada formato, seja ela triangular, hexagonal, quadrada ou losango. Estas são, se resto, as características que diferenciam o pandeiro dos adufes das Beiras.

Escolha das peles é um
momento decisivo na
construção dos pandeiros

Para além dos ensinamentos herdados do seu avô, Paulo Meirinhos vai recolhendo informações sobre os materiais a utilizar, não só na região da Terra de Miranda, mas também na província espanhola de Castela e Leão. “Em todo o processo de estudo para o fabrico dos pandeiros, o maior desafio é a escolha das peles para fabricar o instrumento, pois é isso que lhe confere a sua típica sonoridade”, sublinha o instrumentista.
Para além dos pandeiros, o músico/artesão também se aventura na construção de rabeis, um instrumento de cordas, com uma sonoridade suave, que começa a ser utilizado por diversas formações musicais.
As suas origens perdem-se no tempo, pois este objecto já era utilizado na Idade Média e que tem a particularidade de com a particularidade de ter três cordas, apenas.
“Há referências a estes instrumentos musicais na Bíblia e, talvez por este motivo, seja comum encontra-los em esculturas e pinturas de origem medieval, expostas em igrejas e catedrais”, explica Paulo Meirinhos.
Madeiras da região, corno de vaca, tripas de animais e uma técnica semelhante à da construção de violinos são alguns dos segredos do músico na produção dos rabeis.
Paulo Meirinhos dedica-se, ainda, à recolha, investigação e divulgação do património musical e da língua mirandesa, para além de dirigir o Coro Infantil da Escola EB1 de Miranda do Douro, na qual é professor de Educação Musical.
Quem pretender apreciar estes instrumentos poderá faze-lo até ao próximo dia 30 de Junho, numa exposição patente no Museu Terras de Miranda.

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