Portugueses e espanhóis de mãos dadas
Os casamentos começaram a unir as pessoas dos dois lados da fronteira, contrariando o ditado popular “De Espanha nem bons ventos, nem bons casamentos”. Os habitantes da primeira aldeia europeia são praticamente uma família, havendo fortes laços familiares e de amizade entre portugueses e espanhóis.
“Como as pessoas tinham laços familiares, começou a haver heranças, e as pessoas daqui iam ao lado de lá e os espanhóis vinham ao lado de cá cultivar os terrenos. Nós pagamos impostos em Espanha e eles pagam em Portugal”, graceja o presidente da Junta de Freguesia de Rio de Onor, José Preto.
O espírito comunitário também ainda une as pessoas desta aldeia típica, inserida no Parque Natural de Montesinho. As pessoas já não se reúnem como antigamente, já não são nomeados mordomos para gerir a parte comunitária, ficando esta a cargo do presidente da Junta. Também já não há multas para quem faltar à chamada, mas ainda se mantém o espírito de entreajuda para determinadas tarefas. “Aqui ainda conseguimos reunir o povo. Dou um toque no sino no dia anterior, e no próprio dia o sino toca e as pessoas em 10 minutos juntam-se”, conta o presidente da Junta.
A mais recente reunião da população de Rio de Onor foi na passada sexta-feira, para limpar as ruas para a festa em honra de Nossa Senhora de Fátima. “ No Verão também nos juntamos para limpar as fontes”, salienta o autarca.A partilha entre as gentes desta aldeia do concelho de Bragança também é visível ao nível do funcionamento da forja comunitária, que tem sempre com a chave na porta, e pode ser usada por qualquer pessoa, tal como os moinhos ou o forno comunitário.
O turismo é outra vertente importante para a dinamização de Rio de Onor. Por aqui passam inúmeras pessoas interessadas em conhecer o quotidiano desta aldeia europeia, bem como o funcionamento da parte comunitária, que suscita curiosidade à maioria dos turistas.
Tendo em conta o desenvolvimento económico, portugueses e espanhóis estabeleceram um acordo, em 2005, tendo em vista a realização de investimentos conjuntos. No entanto, segundo José Preto, a falta de recursos financeiros não deixou avançar os projectos conjuntos que tinham sido pensados pelas duas aldeias, como por exemplo a construção de um hotel rural para albergar os turistas que visitam esta região.
“ Já tivemos uma reunião em Pedralba para renovar este acordo, mas até agora não tem tido sucesso”, lamenta o autarca.
Falta de recursos financeiros encravam avanço de projectos conjuntos para desenvolver a aldeia europeia de Rio de Onor
A par da beleza das paisagens, onde sobressaem os arranjos junto ao rio que atravessa a localidade, Rio de Onor também guarda uma igreja típica, que une portugueses e espanhóis na hora de cultivar a fé. Aliás, antigamente, os padres das duas aldeias até agendavam as missas de modo a que houvesse eucaristia todos os domingos, ou do lado espanhol, ou do lado português.
Curiosamente, Rio de Onor está mais perto de Rio de Honor de Castilla, do que da aldeia anexa de Guadramil, apesar desta ter sido aproximada por uma estrada municipal. O próximo passo é ligar Guadramil ao lado espanhol, através do asfalto do antigo caminho rural que já ligava esta aldeia ao rio Manzanas.