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Toneladas de lama impedem abertura do Parque de Campismo

Toneladas de lama impedem abertura do Parque de Campismo
  • 11 de Maio de 2010, 09:05

As populações mostram-se indignadas com a situação, sobretudo, nas zonas mais afectadas pela catástrofe ecológica, como é o caso da sub-bacia da ribeira da Aveleda/Baçal e a bacia do Sabor, em pleno Parque Natural de Montesinho.
“É uma vergonha”, suspira Francisco Tecedor, um homem nascido em Rio de Onor, que conhece a Aveleda como a palma das suas mãos, há mais de 60 anos. “Aqui morreu tudo e não ficou nada! Antes, isto era um rio truteiro e, agora, não se vê aqui uma alma a pescar”, afirmou o agente da PSP reformado.
Segundo a população, como a ribeira da Aveleda está contaminada, assim está o rio Sabor, que atravessa o parque de campismo do Sobre-Águas, pertença do INATEL. A situação é de tal forma grave que coloca em risco a abertura desta unidade, inicialmente, prevista para o passado dia 7 de Maio.
Segundo o responsável pelo Pelouro dos Parques de Campismo do INATEL, Luís Ramos, a situação preocupa a Fundação, que já pediu uma parecer à Câmara Municipal de Bragança (CMB) acerca desta matéria. “Estamos bastante preocupados com essa situação. O parque de campismo não abrirá antes de 20 de Maio, e assim será enquanto não tivermos a total confirmação de que a água está em condições”, garante o responsável.A CMB, contudo, desdramatiza a situação, em documentos fornecidos ao Jornal Nordeste. No dossier sobre “Impactos negativos do arrastamento, deposição e circulação de sedimentos na sub-bacia da ribeira da Aveleda/Baçal, Bacia do Sabor – Parque Natural de Montesinho”, de 23 de Março, pode ler-se: “Relativamente à GNR – SEPNA, o sr. oficial coordenador, Major Amândio Martins, informou constatar que do relatório enviado pela ARH – Norte, da análise da água, resultou a indicação de a água ser favorável ao consumo”, informa a edilidade.

“Não faz sentido abrir o parque naquele estado. Se dizem que a água está própria para beber, que a bebam eles”

Quem não fica convencido é César Alves, que explora o bar do Sobre Águas desde Maio de 2009 e pode sair lesado com o adiamento na abertura do parque de campismo.
“O parque até pode abrir, mas conforme está o rio e sem saber em que condições se encontra a água, se as pessoas podem ou não tomar banho, eu não abro o bar. Só se for para ter mais prejuízo… Quem é que vai para lá?”, questiona o empresário.
Revoltado com a situação, declara: “Nem sei se podemos lavar as mãos! Se alguém apanhar uma doença, de quem é a responsabilidade? Não faz sentido abrir o parque naquele estado. Se dizem que a água está própria para beber, que a bebam eles”.
Recorde-se que as minas de volfrâmio de Montesinho/Portelo foram desactivadas há 25 anos. A empresa que, então, explorava o minério, propriedade de Manuel João Leal, ficou responsável pela extracção dos inertes e das areias.
Pouco depois das chuvadas, o presidente da Junta de Freguesia de França, Amândio Costa, dava conta do seu desalento à Rádio Brigantia. “Basta olhar para a cor do rio para ver que é material altamente poluente, como arsénicos, sílicas”, descrevia o autarca.
O Jornal NORDESTE tentou contactar, por diversas vezes, o presidente da Administração da Região Hidrográfica (ARH) do Norte, António Guerreiro de Brito, numa tentativa de saber quem é responsável pelo desastre ambiental, mas sem sucesso.

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