Alfaiate de Bragança faz calças gigantes
Quando meteu mãos à obra, o alfaiate lembrou-se que a vestimenta poderia ser maior do que a réplica das calças expostas no Museu Militar de Bragança, pertencente a Gungunhana, Imperador de Gaza.
“Numa visita ao museu já tinha reparado no tamanho fora do vulgar daquelas calças. Conforme fui fazendo lembrei-me que estas ainda deviam ser maiores. Fui confirmar e verifiquei que ainda tinham mais 16 centímetros de cintura do que as do Gungunhana”, conta
As calças em causa têm 73 centímetros de perímetro na cintura, o que perfaz 146 centímetros. “O normal anda por volta dos 45, 50 ou, até, 55 centímetros. A partir de 60 centímetros já é uma barriga de respeito, agora 73 centímetros…”, acrescenta.
A par das medidas fora do normal na cintura, também a entre perna apresenta uma dimensão abastada, com 48 centímetros de perímetro, e 27 centímetros de largura no fundo, para ser proporcional ao resto das medidas. “Só no joelho é quase uma saia”, graceja.
O tamanho XXXXL obrigou mesmo o alfaiate a usar o pano de dois pares de calças com tamanho normal para fazer, apenas, uma vestimenta. “ Já tenho feito calças com 64 e 65 centímetros de perímetro de cinta e nunca precisei de utilizar o tecido de dois pares. Estas nem precisaram de emendas”, realça o artesão.
Como o trabalho de António Pires é feito à medida, só falta o cliente provar as calças, para que o alfaiate possa fazer o segundo par avantajado. “É um feito inédito na minha profissão, e já lá vão 44 anos”, concluiu “O Jaleco”.
Reinaldo Frederico Gungunhana nasceu em Gaza, em 1850 e morreu em Angra do Heroísmo (Açores), a 23 de Dezembro de 1906. Foi o último imperador de Gaza, actualmente Moçambique, e o último monarca da dinastia Jamine.
Cognominado o Leão de Gaza, o seu reinando estendeu-se entre 1884 e 1895, altura em que foi feito prisioneiro por Joaquim Mouzinho de Albuquerque, na aldeia fortificada de Chaimite. A administração colonial portuguesa decidiu condená-lo ao exílio em vez de o mandar fuzilar, como o fizera a outros.
Foi transportado para Lisboa, acompanhado pelo filho Godide e por outros dignitários. Após uma breve permanência naquela cidade, foi desterrado para os Açores, onde viria a falecer 11 anos mais tarde.