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Encomendação das Almas nas encruzilhadas de Carção

  • 30 de Março de 2010, 09:32

Mulheres de xaile escuro, lenço na cabeça e semblante carregado, homens de escuro, pau na mão e chapéu a condizer, juntaram-se num café da aldeia para começarem os ensaios, às 23 horas, sob a batuta do presidente da Junta de Freguesia, António Santos.
Minutos antes, houve que dar de comer ao corpo, com folar e a rosca acompanhados de Vinho do Porto para afinar a voz.
À meia-noite em ponto, o grupo, constituído por 12 mulheres e 4 homens, deu início à Encomendação das Almas, com preces em uníssono pelas encruzilhadas da aldeia. “Dizem que já vêm do século XIII e, mais tarde, no século XVI teriam sido aperfeiçoados os versos destinados aos entes queridos em cada cruzamento”, explicou o autarca.
As idades dos participantes oscilavam entre os 55 e os 77 anos, pelo que estes habitantes receiam que a tradição se perca no tempo, caso os mais novos não agarrem este costume.
Mesmo assim, houve pessoas de mais idade que se encontram acamadas e não puderam acompanhar o grupo, mas não deixaram de cantar ao de “cima” como gostam de referir os habitantes da aldeia.
Nas varandas de suas casas, alguns resistentes aguardavam, com velas acesas, lampiões e mantas, a chegada dos homens de mulheres encarregues de Encomendar as Almas do Purgatório. O grupo regressou hora e meia depois ao local de partida, satisfeitos pelo dever cumprido e com a promessa de que para o ano voltarão a cumprir a tradição.

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