O bullying está na moda
O primeiro decorreu entre 2007 e 2009, abordando o tema “Relatório do Projecto de Diagnóstico e Intervenção sobre o Bullying nas escolas da Sub-Região de Saúde de Bragança”. O segundo em Junho de 2008, intitulado “Descrever o bullying na escola”.
No entanto, as investigações realizaram-se numa altura em que os alunos ainda não sabiam o que era o bullying, nem tão pouco conseguiam distingui-lo de violência escolar. Logo, os seus resultados não podem ser considerados fiáveis.
No rescaldo destas investigações, levadas a cabo por autores distintos, e na sequência do Projecto de Educação para a Saúde, o Jornal Nordeste dirigiu-se ao Centro de Saúde de Bragança e a algumas escolas da cidade para tentar averiguar até que ponto os alunos compreendem o conceito que encerra o termo inglês – “bullying”.
“Quando iniciámos estas acções de sensibilização, em Dezembro de 2008, constatei que, uma grande maioria dos alunos, não sabia o que era o bullying. Quase todos o confundiam com violência escolar. Para eles, uma agressão física ou verbal já era bullying. Depois, durante o debate, é que lhes explicava as diferenças. Mas eles tinham muitas dúvidas, a princípio”, garantiu Isabel Parente, técnica superior de Serviço Social no Centro de Saúde de Bragança.
“Se não sabem, confundem. Logo, nunca poderiam ter respondido de forma correcta. Refiro-me, sobretudo, ao 1º e 2º ciclo”, refere Isabel Parente, que tem percorrido as várias escolas secundárias do concelho, bem como os restantes agrupamentos.
Ora, se os estudos da UM foram realizados antes do início destas acções de sensibilização, e se por esta altura, os alunos não sabiam o que era o bullying, nem tão pouco conseguiam distingui-lo de violência escolar. Logo, os resultados podem não reflectir a realidade.
Bullying motiva a banalização humana, a perda colectiva de valores sociais e do significado da palavra respeito no relacionamento entre colegas
Na Escola Secundária Emídio Garcia, o Jornal Nordeste pôde assistir a uma formação sobre o bullying, inserida no Projecto de Educação para a Saúde, ministrada por Isabel Parente aos alunos do 8ºC. A acção decorreu durante uma aula que deveria ter sido de Educação Física, com a professora Fátima Brito, e na presença da coordenadora escolar do Projecto de Educação para a Saúde, Olinda Bragada. “É uma mais-valia para os alunos poderem ter alguns conhecimentos mais aprofundados sobre determinados temas no âmbito da saúde”, afirmou, considerando que o bullying é um desses temas controversos que é necessário fazer compreender.
É um facto que, hoje em dia, há uma crescente preocupação associada à violência na comunidade escolar, confirmada e fundada por um estudo da UNESCO que lançou o alerta, certificando que, em muitas escolas, o número de alunos vítimas de bullying atinge os 50 por cento.
A cidade de Bragança não é excepção e, quando confrontados com a possibilidade do bullying ser uma realidade, as direcções dos vários agrupamentos e escolas secundárias, negam ter qualquer tipo de conhecimento e dados sobre essa matéria, preferindo mencionar “actos pontuais de pequena agressividade”.
Em Portugal, o bullying já existe há muito tempo, mas como as escolas tentam, por vezes, escamutear os factos, agora o bullying está na moda e veio para ficar.