A flor renasce da lama
A tragédia aconteceu um dia antes do seu regresso à cidade que observa o seu percurso académico. “Naquele sábado, estava em casa e, foi uma prima minha, de Coimbra, que deu o alerta ao ligar-me para o telemóvel. Falou dos mortos e da tragédia na ilha. Nós constatámos o vento e a chuva fortes, mas nunca imaginaríamos um cenário tão devastador”, afirma a estudante madeirense.
Com o aeroporto fechado e as estradas cortadas, Diva Carvalho viu o seu voo ser adiado. Sem familiares envolvidos directamente na tragédia, esta aluna do IPB conta a violência do que observou aquando da sua saída da ilha, no domingo. “Estava tudo bastante danificado, praticamente irreconhecível, muita lama e pedras, viaturas e casas submersas por entre os destroços, e a água na estrada dificultava a passagem daqueles que se aventuravam”, revela.
A futura farmacêutica conta, ainda, duas histórias com finais trágicos que lhe foram próximas. A de um operário camarário que morreu quando limpava a estrada, e a duas senhoras do concelho da Calheta, que dormiam, quando uma derrocada lhes invadiu a casa, fazendo-a desaparecer.
No rescaldo de tamanho pesadelo, as escolas reabrem, bem como o Mercado dos Lavradores, as ruas estão limpas, vendem-se flores nas avenidas, o comércio dá um ar da sua graça, os cruzeiros regressam, e neles os turistas, 5 mil por dia. Curiosos quanto baste, muitos pensarão: “que é feito da destruição?” Logo após as enxurradas, o povo madeirense demonstrou, claramente, a força do seu espírito, erguendo-se da lama tão determinantemente como quem diz, “O que os olhos não vêem, o coração não sente”. “É seguir em frente!”