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Farinha e ovos no Carnaval de Santulhão

Farinha e ovos no Carnaval de Santulhão
  • 17 de Fevereiro de 2010, 11:33

“É um encontro de gerações, em que se criam laços de amizade e ninguém se chateia. A própria forma de deitar a farinha às várias pessoas é diferente. Enquanto a um jovem se deita farinha para a cara, a um idoso já se deita no ombro”, explica o membro da Associação Melhoramentos Santulhana, Adrião Rodrigues.
A festa de Carnaval, organizada pela associação e pela Junta de Freguesia de Santulhão, tem vindo a ganhar força, ano após ano, graças ao empenho dos jovens, que se esforçam para manter viva uma tradição com séculos de existência. Os mais velhos recordam-se participar na animação carnavalesca desde crianças, sendo o bailarico o ponto alto da festa. “No dia de Carnaval íamos para o monte com as vacas e estávamos ansiosos para voltar para participar na arruada pela aldeia”, conta António Quina, de 62 anos.
As actividades carnavalescas têm início no sábado à noite, com a realização de um baile de máscaras. Na segunda-feira, as pessoas voltam-se a juntar para fazerem os tradicionais bonecos de palha, também conhecidos por “caramonos”. Estes bonecos funcionam como uma sátira social, sendo, no final do dia de Carnaval, julgados e condenados à morte. “O boneco é o traidor da população, que é acusado e julgado. Mais tarde é onde as pessoas descarregam as energias. Os bonecos são queimados no largo da fonte, onde se reúne a população”, realça Adrião Rodrigues.
Na segunda-feira à noite também se faz o enterro do Entrudo. As pessoas saem à rua com um boneco deitado num caixão, velas e tochas acesas, dando volta à aldeia com os ditos alusivos ao enterro e acompanhados pela Banda de Latos de Bagueixe.

Organização do Carnaval de Santulhão oferece banhos a quem se quiser divertir na festa tradicional transmontana

Já terça-feira à tarde, a população reúne-se, apresentando-se cada um com a sua máscara, para dar a volta à aldeia. Durante a arruada não falta a farinha, os ovos, as serpentinas e os confetis. A Associação de Protecção do Gado Asinino também se junta todos os anos à festa, onde não faltam os tradicionais burricos, que dão um ar mais típico ao Carnaval de Santulhão.
A criatividade e a originalidade das máscaras também são premiadas pela organização. “Não temos uma máscara usual. Cada um mascara-se ao seu gosto. Temos as máscaras comerciais e depois há quem opte pelas máscaras tradicionais, feitas de palha ou cortiça”, salienta Adrião Rodrigues.
Assumindo-se como uma das maiores festas da aldeia, o Carnaval é o ponto de encontro entre a população local e os amigos que se deslocam das aldeias vizinhas. À festa juntam-se, ainda, alguns espanhóis e estudantes de erasmus, que gostam de se divertir nesta época festiva.
“O nosso Carnaval é muito animado e tradicional. É um pouco sujo, devido aos ovos e à farinha, mas a associação disponibiliza os balneários a todas as pessoas que queiram vir divertir-se no nosso Carnaval”, remata Adrião Rodrigues.

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