Cumpre-se a tradição
Depois do Natal e da entrada do novo ano, o Dia dos Reis, comemorado amanhã, é celebrado por todos os habitantes da Réfega, freguesia de Quintanilha, a cerca de duas dezenas de quilómetros de Bragança, encerrando, assim, as festividades natalícias.
Esta data começa a ser preparada alguns dias antes, com a tradicional e secular matança do porco, que tem sido promovida pelo Grupo Cultural e Recreativo da Réfega (GCRF). Sendo um actividade cuja origem se perde no tempo, homens e mulheres têm, sempre, funções específicas, como o desfazer do porco ou o lavar as tripas para encher o fumeiro.
É, então, no Dia dos Reis que se provam os enchidos, sendo que cada pessoa leva uma peça de fumeiro, que será assada numa fogueira comunitária e saboreada com o pão e vinho produzidos na aldeia.
À noite, e já depois do manjar, é a vez de todos afinarem as vozes para percorrerem as ruas da Réfega, enquanto cantam as músicas de Reis.
Este ano, e de forma a cativar mais participantes, o Dia de Reis é celebrado em conjunto com a matança do porco no próximo sábado.
Desertificação da aldeia pode levar à extinção de algumas tradições
A celebração do nascimento do Menino Jesus, que decorre ao longo de cerca de duas semanas, começa no dia da Consoada, quando a família se reúne à volta do polvo e bacalhau cozidos e dos doces tradicionais, como sonhos, rabanadas ou filhós.
Mas é a última noite do ano que mais jovens reunia, já que se “impontava o ano velho”. Era, assim, uma forma de desejar a “morte” do ano que findava e de todos os acontecimentos que o marcaram negativamente.
O simbolismo de queimar ou afogar um boneco de palha à meia-noite, que representava o ano velho, seguido de um enterro, ainda perdura na memória de alguns habitantes mais velhos.
Já no primeiro dia de Janeiro, os habitantes realizam uma festa em homenagem a Nossa Senhora do Carmo. Depois de um peditório, através do qual se reúnem produtos, como farinha, ovos e fumeiro, eram preparadas as roscas que iam a cozer num forno de lenha.
Com estes doces, enfeitava-se o charolo, que levava, também, frutas, cigarros e rebuçados, entre outros. Depois da celebração da missa, o ramo era leiloado entre solteiros e casados. Já no final, os produtos que constituíam o charolo dividiam-se em quinhões, que eram vendidos a famílias ou particulares por quantias que revertem a favor da Senhora do Carmo.
Com a “fuga” de alguns filhos da terra para outras localidades do País, muitas são as tradições que têm vindo a perder algum fulgor e força. Contudo, e com vista a combater a desertificação, foi criado o GCRF que tem promovido e dinamizado algumas das actividades culturais e sociais.