ACIM vai gerir 10 milhões
Jornal Nordeste – Que balanço faz deste anos à frente da ACIM?
Jorge Morais (JM) – É um balanço muito positivo. Hoje a ACIM é uma Associação transversal, que trabalha na área comercial, industrial, serviços e social. Além de ser a entidade gestora da marca “Alheira de Mirandela”, a ACIM não se cinge ao âmbito local, mas conseguiu envolver 15 concelhos da região na criação da Rota do Azeite de Trás-os-Montes e Alto Douro.
Há 5 anos iniciámos o processo para o reconhecimento da ACIM como Pessoa Colectiva de Utilidade Pública e, alcançado este objectivo, temos agora mais facilidade em efectuar candidaturas ao Quadro de Referência Estratégica Nacional.
Apostámos num projecto de Internacionalização apoiado pela Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal para divulgar os produtos certificados com Denominação de Origem Protegida. Conseguimos financiar o projecto Trás-os-Montes e Alto Douro Gourmet, que está em andamento e já levou um grupo de 10 empresários a participar em feiras internacionais na Alemanha e Bélgica.
Para o ano será França e Luxemburgo. Estamos a conseguir levar os nossos produtos endógenos além fronteiras, promovendo a nossa região em simultâneo.
Estamos, também, envolvidos no projecto Rotas do Douro, que também é um bom veículo de promoção dos produtos certificados da nossa região e envolve um investimento de 500 mil euros.
“Todo o recinto da feira [Reginorde] tem que ser coberto e com boas condições, tanto no Inverno como no Verão”
JN – Quais são as apostas da CIM para dinamizar o Comércio Tradicional?
JM – Fomos pioneiros no projecto Urbcom, através da criação da Unidade Coordenação e Acompanhamento e da Mirandela Comercial (MIRCOM), que levou a uma nova candidatura ao MERCA, em que os projectos dos comerciantes foram feitos aqui na ACIM, com os seus técnicos e a preços simbólicos. Estamos a falar de 67 projectos para modernizar o nosso comércio tradicional.
Já temos aprovado o projecto da Rota do Comércio Local, que contempla acções específicas de animação para o Natal no Comércio Tradicional, Dia dos Namorados, Dia do Pai, Feira da Alheira Campanha de Páscoa, Dia da Mãe, Dia Mundial da Criança e o desfile de moda Mirandela Fashion 2010.
Estamos a criar um cartão de crédito que só pode ser utilizado nas lojas do Comércio Tradicional, com condições muito vantajosas ao nível de juros.
JN – Quando tomou posse, a ACIM estava numa situação financeira muito difícil. Conseguiu equilibrar as contas?
JM – Nas Assembleia Gerais os nossos sócios têm acesso, de forma muito transparente, aos relatórios de contas e aos extractos bancários da ACIM, desde 1 Janeiro a 31 de Dezembro de cada ano. Apenas temos uma conta bancária e todas as entradas e saídas de dinheiro estão justificadas por documento contabilístico.
Para 2010 a ACIM participa em projectos que envolvem um orçamento de cerca de 10 milhões de euros, comparticipados em 70 por cento pelo QREN. São projectos já aprovados e contratualizados, independentemente de quem vencer as eleições, coisa que não aconteceu quando entrámos nesta casa pela primeira vez.
JN – Como surgiu a ideia do Conselho Consultivo?
JM – O Conselho Consultivo é um grupo de 45 empresários que acreditam no nosso projecto e que vão participar nas reuniões da Direcção da ACIM, sempre que estejam a ser definidos projectos de relevo para a economia local. Por exemplo, no caso do desfile de modo, vamos chamar os empresários do vestuário e calçado para definirmos uma estratégia adequada, envolvendo as pessoas com experiência nestes sectores. E assim será noutros eventos desta envergadura.
JM – Pretende efectuar alterações nos modelos de organização da Reginorde e Feira da Alheira?
JN – Vamos repensar toda a estratégia a partir duma candidatura ao QREN que nos permitirá construir um pavilhão multiusos para organizar estas feiras temáticas.
Sem esta infra-estrutura não podemos inovar e eu sou o primeiro a dizer que não me revejo nos moldes em que se realiza a Reginorde e a Feira da Alheira, actualmente. Toda a feira tem que ser coberta e com boas condições, tanto no Inverno como no Verão. Queremos fazer uma nave totalmente coberta e sectoriar a Reginorde por várias feiras temáticas ao longo do ano. Pela sua centralidade regional, Mirandela pode ter uma das melhores feiras na área Agro-Alimentar e do Turismo da zona Norte. Haja vontade política, porque Mirandela tem acessibilidades e tem produtos de excelência, mas falta-lhe este pavilhão multiusos.
Ao nível da alheira, estamos a aguardar a passagem da certificação de Especialidade Tradicional Garantida a Indicação Geográfica Protegida (IGP), para que a Alheira de Mirandela só possa ser produzida em Mirandela. O processo está concluído e, a partir daqui, podemos organizar uma feira ainda mais profissional.