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Sousacamp lança maus cheiros

Sousacamp lança maus cheiros
  • 2 de Dezembro de 2009, 10:45

A Sousacamp, com sede na aldeia de Benlhevai, no concelho transmontano de Vila Flor, é das maiores produtoras nacionais de cogumelos em estufa com cinco unidades espalhadas pelo Norte de Portugal (Benlhevai, Paredes e Vila Real) e Espanha.
Segundo explicou à Lusa o proprietário, Artur de Sousa, na unidade de Benlhevai é produzido o substrato para todas a unidades do grupo.
Este composto orgânico é a origem dos “maus cheiros” de que se queixam os habitantes de Santa Comba da Vilariça.
“Às vezes no Calvário é mesmo um calvário”, disse à Lusa José Fernando Teixeira, referindo-se a um dos bairros mais afectados da aldeia pela sua localização mais elevada.
Mas todos cheiram, assegura Duarte Braz, explicando que “a pestilência” só ocorre em determinados períodos, quando é mexido o composto.
Segundo José Fernandes, “mesmo na estrada sente-se”, referindo-se à nacional 102, que liga Bragança a Torre de Moncorvo.
Quem vive na zona, dizem, sobretudo no Verão, “não tem outro remédio senão fechar tudo” e “nem nas esplanadas do café se consegue estar”.
Ressalvam que “o que vale é não ser contínuo” e a intensidade varia consoante o vento.
Às queixas dos habitantes juntam-se os autarcas como Fernando Brás, presidente da freguesia de Santa Comba da Vilariça, que está “disponível para apoiar as iniciativas que as pessoas entenderem”.

Empresa confirmou à Lusa a existência do cheiro proveniente das grandes quantidades de substrato que ali se produz

O colega de Benlhevai, Álvaro Correia, que há 16 anos preside à junta de freguesia eleito pelo movimento “Pelo Povo de Benlhavai”, contou à Lusa que logo no primeiro mandato fez diligências sem sucesso sobre este problema.
“Há dias e horas em que o cheiro é insuportável e a nível ambiental começa a ser também insuportável”, corrobora.
O autarca reconhece que tem havido “alguma complacência porque no Nordeste Transmontano não há fábricas” e este é dos maiores investimentos locais com 20 anos de actividade.
O empresário Artur de Sousa confirmou à Lusa a existência do cheiro oriundo das grandes quantidades de substrato que ali se produz.
Entende que “é um contra e típico” desta que é considerada uma “actividade agrícola como uma vacaria, aviários ou outro tipo de estufas”.
“Aqui é uma coisa ligeira, cheiro forte é o da Portucel que arrasa com tudo”, considerou, atribuindo as queixas “a alguns ex-funcionários descontentes que não têm a melhor relação com a empresa”.

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