Um êxito sem precedentes
O público aderiu ao convite e marcou casa cheia para poder observar o actor a desdobrar-se em 16 personagens, que interpreta de forma única e incansável. Com um texto original de Miguel Falabella, “Paranormal” acontece “de momentos”, num tipo de sessão espírita colectiva. As energias do público passam para o Pai Adamastor e pessoas com quem não têm contacto, e que há muito procuram, encarnam nele. Devido a uma explosão cósmica, perde-se o controlo das ligações e várias personagens entram em contacto umas com as outras como se tivesse havido um cruzamento de diversas. Criam-se, assim, e durante as duas horas que durou o espectáculo, situações hilariantes que demonstram, de forma exígua, o talento “sobrenatural” de Joaquim Monchique.
A crítica foi unânime ao reconhecer “Paranormal” como a comédia do ano de 2008, e considerar o actor, “um dos melhores comediantes de todos os tempos”. Eis uma qualidade que advém, em parte, da criatividade do próprio texto. No Brasil, esta peça esteve em cartaz durante cinco anos e contemplou um milhão de espectadores. Em Portugal, o número já ultrapassou os 100 mil, um êxito sem precedentes para uma comédia interpretada a solo.