“Quentes e boas”
Aos 70 anos, Celeste Ferro dedica-se a este negócio há, apenas, quatro anos, depois de passar décadas a vender tremoços e rebuçados à porta do Estádio Municipal de Bragança.
“A minha vida sempre foi como vendedora, mas há quatro anos que decidi começar a vender castanhas”, recordou Celeste Ferro.
Com uma irmã aprendeu a “arte” de bem assar este fruto e de lhe dar um sabor tradicional. Depois de “pensar” numa forma de as transportar, a vendedora arrancou o negócio que a leva a percorrer, às tardes, as ruas de Bragança.
“Comecei com um carrinho de bebés que foi adaptado. Agora tenho outro com o qual dou a volta à Praça da Sé e pelo centro da cidade”, explicou.
Assim, de Outubro a Dezembro, Celeste Ferro faz da venda das castanhas a sua actividade principal, apesar de nem sempre ser rentável.
“Ganha-se pouco com isto e tenho muitas despesas com o carvão que é muito caro, as castanhas e o papel para os cartuchos. Mas é uma forma de me distrair, passear pelas ruas e ver gente, com quem vou falando”, sublinhou a vendedora.
Negócio mal dá para fazer face às despesas
Vendidos a 1,50 euros, cada cartuxo leva mais de uma dúzia de castanhas da melhor qualidade. “Escolho as que não têm defeitos e ainda ofereço algumas, pelo que acabo por não ter muito lucro, mas nos dias soalheiros é quando consigo vender mais”, acrescentou.
Enquanto caminha, vai sacudindo o “púcaro de barro” que, segundo Celeste Ferro é o que dá o verdadeiro sabor às castanhas. “O truque é golpear as castanhas e, depois de acender o fogareiro, meto-as no púcaro e espalho sal sobre elas. Quando estão assadas mudo-as de lugar para se manterem sempre quentinhas”, explicou a vendedora.
Apesar de ser procurada por bragançanos e já ter clientes fixos entre a gente da terra, Celeste Ferro vende, sobretudo, a estrangeiros que, curiosos, tentam compreender o como funciona o carrinho ambulante. “Perguntam-me como e onde acendo o lume, como se assam as castanhas e acham tudo muito engraçado”, salientou.