Olival é o ouro de Mascarenhas
Longe vão os tempos em que havia 17 lagares a transformar o fruto em azeite e as pessoas do litoral visitavam Mascarenhas aos fins de semana para levar os produtos de qualidade, mas ficaram vestígios deste passado que faz parte da história desta freguesia.
Depois de parar a laboração, houve mesmo um lagar transformado num restaurante afamado que dava mais movimento à freguesia, mas não resistiu à crise.
Actualmente, os agricultores podem fazer o azeite nos dois lagares que restaram, que vão aliando a modernidade ao tradicional.
“A força de Mascarenhas é a agricultura. Temos cá um dos melhores azeites do mundo”, enaltece o presidente da Junta de Freguesia, António Mouro.
Recuando no tempo, o início da plantação das afamadas oliveiras de Mascarenhas deve-se, segundo Abade de Baçal, à Igreja Medieval. Este marco histórico associa-se a outros que enaltecem o nome de uma das maiores freguesias do concelho de Mirandela.
Por estas terras passaram famílias ricas e poderosas que foram deixando o seu património, que pode ser visitado pelos forasteiros que por aqui passam. Os solares imponentes, habitados ou em ruínas são, igualmente, uma marca da freguesia.
Percorrendo os trilhos que separam Mascarenhas, Paradela, Valbom dos Figos e Guribanes podemos encontrar vestígios de casas brasonadas, símbolo da passagem de pessoas de linhagem por estas terras.
As casas brasonadas não passam despercebidas a quem visita a freguesia de Mascarenhas
A casa-solar do ex-morgadio de Nossa Senhora do Desterro é o principal testemunho da importância das famílias de outros tempos. Aqui resiste, ainda, uma capela, actualmente profanada, com um brasão de armas. Contígua à capela é possível observar uma janela de estilo Manuelino Tosco, datada de 1726.
Fazendo um périplo pela freguesia, os visitantes podem, ainda, visitar a igreja matriz de Mascarenhas, datada de 1721, o santuário e o castro romanizado de Nossa Senhora do Viso, em Vale Pereiro (ver caixa), ou o Núcleo Rural de Guribanes. Este lugar esteve mesmo ameaçado pela desertificação, mas graças à intervenção da Junta foi possível fixar mais famílias e preservar esta aldeia. “Só tinha um morador. Com os melhoramentos começaram a vir outros e agora vivem lá cinco famílias”, salienta o autarca.
Com 750 eleitores, Mascarenhas tem vindo a perder gente, mas a autarquia continua a fazer investimentos em prol da população. O Centro de Dia, a construção de uma nova Estação de Tratamentos de Águas Residuais e a conclusão da rede de saneamento são algumas das obras com assinatura de António Mouro.