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Em nome do património

Em nome do património
  • 29 de Setembro de 2009, 08:50

Assim, desde 2002, ano em que foi criada, esta colectividade tem trazido a público um sem-número de peças religiosas e exemplos arqueológicos que, durante anos, estiveram degradados ou, simplesmente, esquecidos.
Actualmente, e desde 2004, a Associação Terras Quentes leva a cabo o inventário do património histórico – artístico do concelho de Macedo de Cavaleiros. Um projecto que, em 2006, foi alargado a toda a diocese Bragança – Miranda.
“Temos trabalhado um pouco por todo o distrito na inventariação e, também, no restauro e conservação de algumas peças”, explicou o presidente da Associação Terras Quentes, Carlos Mendes.
Pelas instalações da colectividade já passaram cerca de sete mil obras, sendo que algumas foram reabilitadas. Trata-se de um trabalho duplamente importante, pois além de prever a conservação de algumas peças, permite que as autarquias e a diocese Bragança – Miranda tenham conhecimento do seu património, até pela própria segurança e preservação.
“Pouco antes do assalto ao Santuário de Santo Antão da Barca, em Alfândega da Fé, tínhamos feito um registo fotográfico de obras de arte sacra do concelho, pelo que, depois do roubo, accionámos o protocolo que temos com a Polícia Judiciária e, em cinco dias, conseguiram reaver todas as peças”, recordou o responsável.

Colectividade queixa-se de dificuldades financeiras, devido a “entraves burocráticos”

Sendo a inventariação e reabilitação de parte do património do distrito de Bragança um dos seus projectos, a Associação Terras Quentes efectuou uma candidatura ao Quadro de Referência Estratégico (QREN) que, apesar de já ter sido aprovada, ainda não foi colocada no terreno, devido a entraves burocráticos.
“Até ao momento, ainda não recebemos um tostão, o que poderá levar à extinção de todo o programa”, explicou Carlos Mendes.
O projecto, orçado em 562 mil euros, será financiado em 55 por cento pelo QREN, sendo que o restante valor será suportado pelas diversas Câmaras Municipais do distrito de Bragança, às quais a colectividade prestará serviços.
“O nosso acordo com as autarquias previa que estas investissem no inventário, com o compromisso de verem, também, algumas das suas peças serem restauradas. Contudo, devido a estes problemas, não sabemos como vai ser, já que nós temos muitas despesas diárias e não fomos reembolsados em um cêntimo sequer”, lamenta o responsável.
Com 59 protocolos celebrados com entidades de ensino, segurança, municipais e religiosas, entre outras, a Associação Terras Quentes recebe, anualmente, diversos alunos e profissionais de todo o País, sendo que muitos chegam, mesmo, a colaborar com a colectividade em regime de voluntariado ou em estágios.
“É o reconhecimento do nosso trabalho. Recebemos alunos de licenciaturas, mestrados e doutoramentos, já que temos condições de investigação para isso mesmo”, sublinhou Carlos Mendes.

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