Murça com real 4X4 aventura
Numa das provas de sábado, último dia da competição, Gerardo Sampaio e o seu co-piloto, que iam em primeiro lugar, tiveram um infortúnio e o seu Nissan ficou imobilizado. Valeu Jim Marsden que parou para prestar auxílio, emprestando a sua máquina de soldar, enquanto que o seu co-piloto, Mark Birch soldou o eixo. Este acto nobre de desportivismo permitiu a Gerardo sagrar-se campeão, enquanto que o inglês num Land Rover ficou com o segundo lugar, caso não tivesse parado, a equipa inglesa, seria vencedora. O terceiro lugar foi também para uma equipa portuguesa, Vasco Silva e Monteiro, ao volante de um Freelander.
Murça almejou estatuto, merecidamente, tornando-se num bastião do 4X4, onde 27 das 30 equipas permitidas, constituídas por dois elementos cada, oriundas de sete países, entre eles, Espanha, Portugal, Inglaterra, França, Alemanha e arquipélago das Canárias, vieram preparadas para a árdua tarefa de conquistarem um lugar no pódio, numa das provas mais duras, bem organizadas e competitivas de Trial 4×4, aventura em todo-o-terreno.
Com uma extensão a rondar os 200 quilómetros, o trajecto era composto, em grande medida, por percursos de difícil transposição, tido os concorrentes apenas a noite quinta-feira (dia 3) para um merecido, mas encurtado descanso. Isto porque, as sete super-especiais (SS) que tiveram lugar nesse dia na Ribeira d´Aila, entre Monfebres e ponte do Franco, demoraram mais que o previsto, prolongando-se por uma noite já cerrada.
Organização sem reparos
Comparável ao mítico Camel Trophy, a região de Murça tem nos seus percursos características tão peculiares, tecnicistas e amazónicas, que estes são elogiados, desde a sua primeira edição em 2003, pois testam ao limite todas as capacidades humanas e mecânicas dos seus intervenientes. Este ano, devido ao seu alto nível competitivo, a RAINFOREST MURÇA foi unanimemente considerada, quer por jornalistas, quer por pilotos estrangeiros, como a melhor prova do género realizada em solo europeu.
A responsabilidade a nível organizativo, girou em torno de 3 pessoas: Alvaro Aznar, dirigente máximo da SinLimite Off Road, empresa encarregue de todos os pormenores organizativos; José Rodrigues, responsável por todo o perfil e dinâmica da prova, um trabalho de vários meses que incluiu road book para equipas, concorrentes, jornalistas e público; e, por último, Agostinho Pacheco, um colaborador de Guimarães e aficionado do TT, que desempenha um papel deveras importante, sobretudo, no decorrer da prova, já que é ele que trata da relação com os concorrentes, servindo de tradutor, pois domina várias linguas.
Uma organização que garantiu o sucesso de mais uma RainForest Murça e que, para isso, em seis dias, pouco ou nada dormiu. “Um esforço bem recompensado”, sublinha José Rodrigues, isto porque Murça recebeu por intermédio de quem os visitou, uma quantia na ordem dos 150.000€, investidos em comércio, restauração, produtos regionais, hotelaria e combustíveis, entre outros.