Região

Um filho da terra, um poeta

  • 1 de Setembro de 2009, 16:19

Em conversa com o Jornal Nordeste, o escritor revela algo de si e da história que esteve por trás do seu primeiro livro, “são devaneios intimistas, não tenho a pretensão de chamar a isto um livro de poesia, quem sou eu para me considerar um poeta? As pessoas mais tarde o dirão. É antes e na realidade, a concretização de um sonho”.
Começou a escrever com 16 anos, andava ele no liceu em Bragança, numa época em que era, de facto, difícil ter acesso a muita da literatura existente. Este livro, foi escrito no ano passado, em cerca de seis meses, “há medida que ia escrevendo poemas, publicava-os no site brasileiro www.poetasmortos.com, onde participam autores de vários países, e tive uma reacção bastante positiva por parte de todos aqueles que os leram. Assim, quando surgiu a oportunidade por parte da Associação Cultural dos Almocreves de Carção, foi para mim muito fácil levar a bom porto este livro”, afirma um filho da terra, orgulhoso poeta e criador.

Carção, no reverso do meu mundo

Conhecia todos os caminhos
Todos os carreiros da aldeia
Conhecia os perigos escondidos
Provenientes da alcateia
Dos lobos famintos, da solidão
Dos montes, da imensidão
Do horizonte tão vasto…
E tão pequeno.

Conhecia o tempo feliz
Da inocência…
E a clemência
Da insólita relutância em partir…
Conhecia o frio nordestino
Do vento gélido da noite
E as mãos de sangue, do açoite
Das madrugadas sem destino.

Conhecia todo aquele mundo
Que do mundo estava esquecido.
Só não conhecia, no fundo,
Este outro mundo…
…Onde hoje ando perdido.

António Prada Jerónimo

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