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Criadores de gado por “amor” à raça

Criadores de gado por “amor” à raça
  • 1 de Setembro de 2009, 15:53

Também Henrique Pires, de Castrelos, lamenta que a afamada carne mirandesa mantenha o preço, enquanto as rações e os adubos aumentam em flecha. “O preço da carne é o mesmo há 20 anos, mas as rações e os adubos dispararam. Não temos alternativa. Andamos a trabalhar por amor à arte”, desabafa o criador de gado.
Os custos de produção são, ainda, agravados com a seca. Os pastos secaram e os criadores são obrigados a comprar alimento para os animais.
Mesmo com a fama que tem a posta mirandesa, a maioria dos produtores que participaram no Concurso de Bovinos de Raça Mirandesa, que decorreu no passado dia 21, em Bragança, afirma que o trabalho dos agricultores não é valorizado.
O presidente da Associação de Criadores de Raça Mirandesa, Arlindo Formariz, lamenta a falta de incentivos para a fama e qualidade que a carne tem, mas lembra que a associação não pode aumentar o preço que paga aos agricultores, sob pena de não conseguir escoar o produto. “Estamos a pagar 5,25 euros por quilo. É o mesmo preço que no ano passado, mas temos que manter este valor para termos a comercialização garantida”, afiança o responsável.
A maior parte da carne produzida nos seis concelhos que integram o Solar da Raça é vendida para grandes superfícies do centro e sul do País. Bragança é o município onde há um maior número de produtores e, consequentemente, de onde saem mais carcaças.

Fábrica de rações da Associação de Criadores de Raça Mirandesa depende da aprovação do PRODER

Os subsídios são o único incentivo para a instalação de novas explorações, principalmente de jovens agricultores. “Não têm aparecido jovens a investir porque neste último quadro comunitário não tenho conhecimento de nenhum projecto aprovado”, constata Arlindo Formariz.
Também o secretário técnico do Livro Genealógico dos Bovinos de Raça Mirandesa, Fernando Sousa, salienta que a fábrica de rações que a associação tem previsto instalar em Vimioso está dependente da aprovação do projecto no âmbito do Programa de Desenvolvimento Rural (PRODER).
Este concurso ficou, ainda, marcado pela fuga de uma novilha, na altura em que estava a ser descarregada pelo criador. O animal andou a passear pela cidade de Bragança, mas não causou danos.

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