“Regionalização é necessária já na próxima legislatura”
Segundo o presidente da ACP, é necessário utilizar os fundos da coesão da Europa para criar as condições para que haja Regionalização, facto que não tem acontecido. “Na próxima legislatura é possível pensar novamente em Regionalização. Precisamos de o fazer enquanto estamos a receber fundos de coesão da Europa. O que tem acontecido é que não estamos a utilizar esses fundos para reforçar a coesão portuguesa e prova disso é o que se passa em Bragança e em Trás-os-Montes. Ou aproveitamos as ajudas que nos estão a ser dadas ou depois será tarde demais”, explicou Rui Moreira.
Para o dirigente portuense, enquanto não se mudar a Constituição e deixar-se de lado as hipocrisias, a Regionalização nunca poderá ser decretada. “Para a Regionalização avançar é preciso largar o discurso hipócrita. A Constituição diz que tem de haver Regionalização, e logo a seguir diz que primeiro tem de haver referendo. Eu concordo com isso, não posso é concordar com o segundo alçapão, ou seja, é preciso que a maioria da população diga sim à Regionalização, mas basta haver uma só região que diga não e a Regionalização já não pode avançar, mesmo que 70 por cento da população vote a favor. Isto não só é errado como é injusto”, afirmou.
Rui Moreira defende, ainda, que só com um sistema de regiões é possível lutar com armas iguais com o centralismo do poder de Lisboa, que tem contribuído para a desertificação do Interior. “ A Regionalização serviria para equilibrar os pratos da balança. Quando vamos considerar o equilíbrio entre o que é a contribuição desta região para o bem-estar comum dos portugueses e aquilo que a região recebe, o saldo é negativo para a região.
Isto é como um jogo de bilhar em que inclinamos a mesa para as bolas caírem todas no mesmo buraco, e o que me entristece é que daqui a pouco ninguém vai querer jogar este jogo. A Regionalização é o equilíbrio da mesa de bilhar”, concluiu o empresário da ACP.
Já o presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CDDRN), Carlos Lage preferiu comparar a Regionalização com o sistema solar. “Apesar das regiões terem uma trajectória própria, não implica que se desviem do poder do Estado”.