“É preciso dizer não”
A novidade foi deixada pela directora executiva daquele organismo, Berta Nunes, que sublinhou a necessidade de “proteger” e apoiar as grávidas neste fenómeno. “Sabemos que a prevalência de violência na gravidez é muito alta e que resulta, muitas vezes, em sequelas para a mãe e para o feto. Estamos a falar, por isso, de duas vítimas”, explicou a responsável.
Apesar do elevado índice de violência verificada contra grávidas, Berta Nunes adianta que é um problema com pouca repercussão, pelo que, muitas vezes, a vítima não sabe onde e como procurar ajuda. “É uma realidade grave, mas pouco visível, pelo que o que estamos a criar é um instrumento de rastreio que detecte as situações e implementar procedimentos para apoiar e encaminhar a grávida”, informou a médica.
A par deste projecto, o ACES lançou, ainda, a campanha “É preciso dizer não”, através da qual se pretende chegar às mulheres de todas as faixas etárias. “Todos os centros de saúde têm vindo a trabalhar na sensibilização da comunidade, mas o que pretendemos é que se motive a procura de ajuda e fazer com que a sociedade seja menos tolerante com a violência”, salientou Berta Nunes.
Assim sendo, a campanha dirige-se às mulheres entre os 25 e os 35 anos, através do slogan “Quanto mais cedo melhor”, e às com mais de 35 anos com a mensagem “Nunca é tarde de mais”. “À primeira situação de violência incentivamos a dizerem Não e às que sofrem há muitos anos, dizemos que nunca é tarde. O importante é parar o ciclo da violência”, asseverou a responsável.