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A importância dos Cuidados Continuados e Paliativos

A importância dos Cuidados Continuados e Paliativos
  • 21 de Julho de 2009, 14:00

Jornal Nordeste (JN) – No seu conjunto, entre as edições da pós-graduação de Cuidados Continuados e Paliativos implementadas no pólo da Gandra e no pólo de Bragança, estamos já diante da 6ª edição. Qual é o balanço que faz deste percurso?
Prof. Doutora Vera Almeida (VA) – Em Março de 2006, o Governo criou a Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados, com o objectivo de garantir a prestação de serviços de saúde a pessoas que, independentemente da idade, se encontrem em situação de dependência.
Num projecto inovador em Portugal, a Cespu-Formação criou, no início de 2007, um curso de Pós-Graduação em Cuidados Continuados, dirigido aos profissionais de saúde, na qual se procurou promover os recursos técnicos e humanos específicos para o trabalho com os doentes crónicos e terminais.
Logo na primeira edição, o curso suscitou um grande interesse e contou com a colaboração de uma equipa de reputados especialistas, entre os quais destacamos Harvey Chochinov, investigador na área dos Cuidados Paliativos da Universidade de Manitoba, Canadá, Ferraz Gonçalves, fundador da primeira Unidade de Cuidados Paliativos em Portugal, Trish Bartley (Bangor University) e Marie de Hennezel, reputada autora de obras relacionadas com as questões de fim de vida.

JN – Tendo em conta a realização da próxima edição da pós-graduação em Cuidados Continuados e Paliativos em Bragança, que aspectos consideraria decisivos para justificar a frequência do curso?
VA – Em primeiro lugar gostaria de sublinhar o grande entusiasmo que rodeou a primeira edição do curso em Bragança, que correspondeu em pleno às expectativas e necessidades de formação do grupo constituído, na sua maioria, por profissionais de saúde, muitos deles já com uma longa e muito diversificada experiência profissional.
A nossa proposta de formação busca, em primeiro lugar, dotar os profissionais de saúde com conhecimentos técnicos e competências de comunicação que potenciem o seu desempenho no contexto específico do trabalho clínico com doentes terminais e crónicos.
Temos, portanto, uma grande preocupação em valorizar as competências técnicas e humanas dos profissionais que trabalham nesta área, e não pretendemos uma formação teórica esvaziada da dimensão de humanização dos cuidados de saúde, aspecto que consideramos estrutural para quem trabalha nesta área.

“Todo o conteúdo da pós-graduação tem em linha de conta as necessidades e características específicas da região”

JN – Poderá adiantar-nos alguns dos aspectos que fazem parte da estrutura curricular?
VA – O programa do curso aborda as diferentes dimensões (física, psicológica, social e espiritual) do sofrimento e da doença, traduzido em módulos como o de Controlo da Dor e dos Sintomas e o de Morte e Luto.
É dada especial atenção à integração pessoal dos conhecimentos científicos, proporcionando-se o treino individualizado de competências de comunicação necessárias para o trabalho clínico, visível através da dinâmica implementada no módulo da Comunicação que privilegia as competências na relação de ajuda com o doente e a sua família.
A pós-graduação em Cuidados Continuados e Paliativos proporciona portanto uma forte componente prática que permite a integração eficaz dos múltiplos contributos teóricos no sistema de referências pessoal do aluno. Neste âmbito, o módulo de Mindfulness e de Haptonomia, apresentando-se como abordagens inovadoras tem uma aplicabilidade imediata para os vários profissionais de saúde que lidam com a morte e com o sofrimento.
De forma a responder à preocupação em manter os conteúdos do curso adaptados à realidade da Rede de Cuidados Continuados Integrados foram incluídos os módulos Reabilitação e Dependência, Trabalho em Equipa e Organização de Serviços e Princípios e Fundamentos dos Cuidados Continuados e Paliativos ministrados por profissionais que lideram equipas da rede.

JN – Em que medida esta proposta de formação se articula com a conjuntura nacional e regional da implementação da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados?
VA – Esta pós-graduação surgiu precisamente a partir das necessidades de formação sentidas pelos profissionais que actualmente trabalham em unidades da rede situadas na região e dirige-se também aos profissionais que pretendem vir a trabalhar nesta área, uma vez que está previsto o surgimento de diversas unidades de cuidados continuados nos tempos mais próximos por todo o país. Todo o conteúdo da pós-graduação se relaciona com as directrizes gerais de formação preconizadas pela Unidade de Missão para os Cuidados Continuados Integrados e da Associação Nacional de Cuidados Paliativos e tem em linha de conta as necessidades e características específicas da região, razão pela qual procurámos integrar no corpo docente formadores da região.

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