Professores de Bragança exigem melhores salários
Segundo os docentes, a Câmara Municipal de Bragança (CMB) recebeu do Ministério da Educação (ME) cerca de 15 euros para cada hora de formação, mas às mãos dos professores só chegaram 8,60 euros, que, neste caso, foram pagos pela empresa contratada pela autarquia para gerir o processo de contratação.
Ao que foi possível apurar, dos 15 euros que recebeu dos cofres do ME, o município retirou-lhe 3 euros, pagando à empresa, apenas, 12 euros. Tendo por base esse valor, a empresa comprometeu-se a pagar aos docentes 11,40 euros por hora, um valor reduzido para 8,60 euros, tendo em conta que as aulas nas AEC têm a duração de, apenas, 45 minutos.
Esta situação não agradou aos professores, que querem ver a sua situação profissional melhorada no próximo ano lectivo. “Fazendo as contas são cerca de 6,50 euros que ficam pelo caminho, desde que o dinheiro sai do Ministério até chegar aos professores”, denuncia um docente de Bragança, que prefere não revelar o nome com receio de represálias.
O mesmo professor garante que nos municípios de Vila Flor, Vinhais, Mirandela ou Macedo de Cavaleiros, onde os professores das AEC são contratados directamente pelas autarquias, os montantes pagos por aula rondam os 14 euros.
Aliás, em Bragança o montante pago aos docentes tem vindo a baixar, visto que, no primeiro ano (há três anos atrás), o valor oscilava entre os 10 e os 12 euros, por aula.
Professores que trabalham nas AEC de Bragança querem que a autarquia assuma a responsabilidade da contratação dos docentes
Perante esta situação, os professores defendem que deveria ser a própria CMB a fazer as contratações. “Há Câmaras no País que fazem contratos de trabalho com os docentes, pagando-lhes um ordenado de 800 euros, com direito a subsídios de férias, alimentação, entre outras regalias”, realça outro professor, que também preferiu não se identificar.
Confrontado com o facto dos professores de Bragança receberem os salários mais baixos, o presidente da CMB, Jorge Nunes, garante que “todos estão a receber pelo índice referente a habilitação igual à licenciatura”.
O edil esclarece, ainda, que o apoio recebido do ME não é só para a remuneração dos professores, mas também para material, transportes e, em situações pontuais, para aluguer de instalações. No entanto, Jorge Nunes preferiu não revelar valores.