Obstetra no banco dos réus
O caso remonta a 11 de Fevereiro de 2003, altura em que Isabel Bragada entrou em trabalho de parto. Depois de algumas complicações, a médica obstetra foi chamada ao Hospital de Mirandela, tendo comparecido no hospital mais de 30 minutos após o primeiro telefonema. Segundo a mãe do Gonçalo, foi a demora no parto que provocou axónia cerebral ao pequeno, que resultou em danos irreversíveis.
Recorde-se que a profissional de saúde já cumpriu uma suspensão de 90 dias imposta pela Inspecção-Geral das Actividades em Saúde (IGAS), baseada em “desleixo e incúria”. Isto depois do Ministério Público ter arquivado a queixa-crime apresentada contra a obstetra pelos pais da criança, Isabel Bragada e Mário Damasceno.
Agora, a Relação do Porto acusa a profissional do “crime de recusa de médico”, uma decisão que corresponde aos anseios dos pais do pequeno Gonçalo. “É uma esperança para nós, depois de seis anos de luta, e a oportunidade do caso ir a julgamento”, adianta Isabel Bragada.
Segundo a progenitora, “tem sido uma luta árdua, de sofrimento físico e psicológico, mas com isto conseguimos algum alento, pois a médica tem que ser punida por ser a responsável pelo estado em que o meu filho está”.
Isabel Bragada afirma que o objectivo deste processo é conseguir a condenação da obstetra e uma indemnização que permita fazer frente às necessidades do Gonçalo. “O meu filho será sempre dependente. Temos uma pessoa a tempo inteiro com ele, o que com as restantes despesas, dá um gasto mensal superior a 800 euros”, revelou a mãe.