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Bemposta: na retoma pelo esplendor perdido

Bemposta: na retoma pelo esplendor perdido
  • 9 de Junho de 2009, 09:17

Uma modernidade à qual se contrapõem as cores naturais das pequenas casas e casebres.
Bemposta, no concelho de Mogadouro, oferece a todos os curiosos a oportunidade de, numa só visita, conhecer histórias e costumes transmontanos reflectidos nas velhas paredes de pedra, bem como desfrutar das maravilhas que o rio Douro oferece.
Antiga vila, comprovada pelo pelourinho em granito (foral de 1512), a aldeia acolheu, em tempos, cadeia e tribunal, bem como um posto da GNR. Actualmente, a freguesia, com cerca de 850 eleitores, acalenta o desejo de recuperar “o título perdido”.
“Tivemos a nossa importância na história, mas foram retirados alguns serviços. Contudo, acreditamos que voltaremos a ser vila”, revelou o secretário da Junta de Freguesia de Bemposta (JFB), Francisco Fernandes.
Para esta “luta”, o autarca conta que se tenha em conta alguns dos equipamentos existentes na localidade, como a extensão do Centro de Saúde de Mogadouro, o Pavilhão Desportivo e o posto de Correios, bem como com o património histórico e edificado e os projectos que a JFB pretende criar.
“Vamos criar uma biblioteca no edifício da Junta, que estará disponível a toda a população e vamos terminar de instalar Internet sem fios a título gratuito na freguesia”, informou o autarca.
A JFB reclama, ainda, um sistema de combate a incêndios. “Com uma extensa área de zimbros, deveríamos ter um equipamento para prevenir e combater os fogos. Temos o kit para primeira intervenção, mas falta-nos o veículo para o transportar”, lamenta Francisco Fernandes.
Contudo, uma das apostas do actual executivo é aproveitar a proximidade ao rio Douro e a integração no Parque Natural do Douro Internacional. “Temos tirado poucos benefícios, sendo que até passam turistas por aqui, mas não permanecem na aldeia”, lamenta.

Tradições continuam a atrair curiosos e visitantes
a Bemposta

Com duas laranjas espetadas nas pontas dos chifres da máscara, que simbolizam os frutos desejados para o novo ano que começa, e vestido de linho preto, o Chocalheiro de Bemposta é uma das figuras mais emblemáticas e queridas de Bemposta.
Do queixo sobressai uma barbicha de bode e na nuca uma bexiga de porco cheia de vento. Já na testa, o mascarado traz um disco e uma serpente que desce pela cara. Na mão segura uma tenaz e na cintura é envolvido por uma cobra de grande porte, sinal de fertilidade. Segundo se conta, para o Chocalheiro, este animal simboliza a Terra Mãe, que produz todos os bens que o homem necessita.
Bemposta acolheu, ainda, a tradição dos Casamentos que decorria ao longo de três dias. “No primeiro casavam-se os vizinhos. Já o segundo era dedicado à marotice, sendo se revelavam alguns segredos. No último casavam-se os namorados da aldeia. Em todas as situações davam-se dotes aos visados, conforme as suas profissões”, explicou o autarca.
Há cerca de sete anos deixou de se realizar a Encomenda das Almas, que decorria um pouco por todas as ruas de Bemposta. Um grupo de homens, e posteriormente mulheres, reunia-se à noite e percorria a aldeia a entoar cânticos às almas para as recomendar a Deus.
A par do património cultural, a freguesia é rica em monumentos e edifícios históricos, como o conjunto de capelas espalhadas por Bemposta, a igreja matriz, as habitações típicas e algumas casas brasonadas.

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