Vítimas de AVC acompanhadas em casa
A funcionar há cerca de um mês, a equipa, composta por um profissional de enfermagem e uma assistente social, percorre todo o distrito para dar apoio a quem, muitas vezes, se sente desamparado perante as sequelas deixadas por um AVC.
O Jornal NORDESTE acompanhou o trabalho dos profissionais do Centro Hospitalar do Nordeste (CHNE) para arrancar sorrisos de rostos marcados pelos danos causados pela doença.
Ana Pais é um caso de recuperação exemplar. Depois do susto que apanhou no passado mês de Abril, a idosa não ficou com sequelas. “Foi uma sensação estranha no corpo que me subiu à cabeça e perdi o sentido”, recorda a nonagenária.
A enfermeira Helena Campos explica que a sintomatologia entre um AET e um AVC é a mesma, a diferença está na duração dos sintomas. “Enquanto num AET a sintomatologia reverte em 24 horas, num AVC os sintomas perduram para mais de 24 horas”, explica.
Visita domiciliária surgiu devido às necessidades de acompanhar a recuperação das vítimas de AVC
Na visita domiciliária, a enfermeira avalia os factores de risco, nomeadamente o colesterol, tensão arterial e glicemia. Informações que são adicionadas ao processo do doente para serem analisados pelo médico responsável da Unidade de AVC, Jorge Poço, aquando da consulta com estes utentes. “Por norma, a visita é feita durante o primeiro mês após a alta hospitalar e antes da consulta. Depois voltamos passados 6 meses”, realça Helena Campos.
A viagem continua rumo ao Centro de Dia de Grijó. A cerca de 6 quilómetros de Macedo de Cavaleiros encontramos Maria Mercês Pombares, de 81 anos, que também foi vítima de um AET. Aqui a situação é mais complicada, porque a idosa já sofria de alguns problemas de desorientação que persistem na vida da D. Mercês, como é conhecida na instituição.
Verificar a toma da medicação é, igualmente, uma missão de Helena Campos, que se preocupa em saber se os utentes estão a seguir à risca as indicações dadas pelo médico à saída do hospital. “Sentimos necessidade desta visita porque, muitas vezes, quando o utente chegava à consulta tinha deixado de tomar a medicação, não tinha ido entregar a carta ao médico de família…”, conta a enfermeira.
Assistente social já teve necessidade de encaminhar casos para a Segurança Social devido às deficientes condições de habitabilidade
De regresso a Macedo, a equipa visita o último utente do turno da manhã. Camilo Vaz, de 59 anos, apresenta um quadro clínico mais complicado. Este utente teve a primeira hemorragia cerebral há 4 anos, na sequência de uma intervenção cirúrgica para a colocação de um cateter na cabeça para fazer quimioterapia. Já o segundo AVC foi provocado por uma queda na escada. Com o lado esquerdo paralisado e com problemas na vista, Camilo Vaz vai recuperando lentamente dos problemas de Saúde que o obrigaram a alterar o modo de vida. As limitações causadas pelos AVCs são ultrapassadas com o apoio e carinho que recebe da família e pela ajuda incansável da mulher. “Este é um caso em que tem a retaguarda da família e está a cumprir com tudo direitinho”, realça Helena Campos.
Já a assistente social, Sílvia Aleixo, salienta que nas visitas efectuadas na manhã da passada quinta-feira não foi necessária a sua intervenção, visto que os utentes tinham conforto e condições de habitabilidade condignas, mas nem sempre é assim. “Já tivemos casos, principalmente nas aldeias, em que foi necessário encaminhar situações para a Segurança Social, porque as pessoas viviam em casas sem as mínimas condições”, reconhece.