Médicos pagos a peso de ouro
A administração do CHNE justifica esta situação com a dificuldade em atrair especialistas para a região. “O valor de referência só é ultrapassado nos casos em que não temos outra hipótese de conseguir a vinda de médicos de uma determinada especialidade”, justificou o vogal do conselho de administração do CHNE, António Marçôa.
O responsável garante que nas unidades hospitalares do distrito não há clínicos a ser pagos a preço de ouro e explica como foi calculado o valor máximo que é pago aos médicos que prestam serviços na região. “Tivemos alguns médicos que se reformaram e que mostraram vontade de continuar a trabalhar connosco. Como não nos podemos dar ao luxo de prescindir desses especialistas, fizemos o cálculo do valor à hora mediante o salário que eles usufruíam enquanto estavam no activo”, explica António Marçôa.
Recorde-se que o CHNE tem médicos em regime de prestação de serviços na Urgência e no Internamento, sendo as áreas onde o valor é pago acima da tabela criada pelo MS a Cirurgia, Ginecologia e Obstetrícia, Anestesiologia e Nefrologia. Ou seja, especialidades onde o CHNE tem falta de clínicos e para as quais chegou a abrir concursos públicos que ficaram desertos.
Para resolver o problema e atrair médicos para o interior, a ministra da Saúde, Ana Jorge, anunciou a criação de um programa para a colocação dos clínicos que terminam o internato em zonas preferenciais. “A partir de Janeiro vamos conceder uma bolsa para a fixação de especialistas nas zonas onde fazem falta”, garantiu a ministra da Saúde.