Barragem do Tua aprovada na cota mínima
O documento realça, ainda, que devem ser garantidos e salvaguardados os interesses e a mobilidade das populações locais, bem como potenciar o desenvolvimento sócio-económico e turístico. Para tal, a DIA obriga a assegurar o serviço de transporte público da linha-férrea no troço a inundar, pelo que deverá ser efectuada uma análise de alternativas, incluindo um estudo de viabilidade de construção de um novo troço ferroviário.
O MA explica, ainda, que “a barragem foi aprovada com a cota de Nível de Pleno Armazenamento (NPA) mais baixa das alternativas em avaliação”. Ou seja, foi imposta a cota de 170 metros, depois de terem sido analisadas as cotas de 180 e 195 metros, a última implicava a inundação de grande parte da Linha do Tua.
Autarca de Mirandela não acredita na construção de uma linha ferroviária alternativa
Em números, este nível de enchimento vai submergir 15,9 quilómetros de linha e quatro apeadeiros, ao passo que o NPA de 195 metros significaria a inundação de 31,2 quilómetros de ferrovia e 20 apeadeiros.
A cota mínima diminui assim impactos ambientais mais graves, como a afectação directa das concessões hidrotermais das Caldas de Carlão (Murça) e das Caldas de S. Lourenço (Carrazeda de Ansiães), bem como da área de vinha e de produções agrícolas em geral, dos cursos de água, paisagem e património.
A decisão do MA, contudo, não agrada ao presidente da Câmara Municipal de Mirandela, José Silvano, que esperava um parecer desfavorável da parte da tutela, para salvaguardar o património natural do Vale do Tua e a sua atracção turística. “Fiquei desiludido, porque estava à espera que o parecer fosse negativo”, acrescentou o autarca.
O edil levanta, ainda, dúvidas quanto à concretização da linha ferroviária alternativa. “Não sei se a ferrovia se irá fazer, visto que depende de estudos técnicos e económicos. Depois dizem que economicamente não é viável e é uma forma de adiar o fim da Linha do Tua”, lamenta José Silvano.