O fio da seda de Chacim
Basta passar pela Estrada Nacional 216 (que liga a sede de concelho, Macedo de Cavaleiros, a Mogadouro) para qualquer visitante, até mesmo o mais insensível, se aperceber da riqueza que imposta pelas faldas da serra de Bornes.
Aliados à beleza natural, a história e património de Chacim completam o quadro perfeito para um fim-de-semana inesquecível.
Deixe-se passear pelas apertadas e inclinadas ruelas, enquanto contempla o Solar de Chacim, palacete dos finais do século XIX que ostenta as armas dos Escovares, transformado em unidade de turismo de habitação, o pelourinho, datado de 1769, com o escudo dos senhores da terra, os Sampaio, ou o edifício da escola do 1º Ciclo do Ensino Básico, mandada construir por António Maria da Costa. A religiosidade dos habitantes locais é relembrada a cada incursão, através dos templos, como as capelas da Misericórdia e a do Desterro, a igreja matriz e o conhecido Convento da Nossa Senhora de Balsamão, local único de retiro e espiritualidade bastante procurado por curiosos de diversas nacionalidades. No mesmo local, onde se ergue este Santuário Mariano, encontrava-se o castelo de Balsamão, da época medieval, que foi destruído para a construção do convento. Assim sendo, existem pouco vestígios do antigo povoado fortificado e vila medieval, abandonada no século XVII.
Mas se a natureza é inseparável da freguesia, o nome de Chacim é sempre associado ao desenvolvimento e progresso da indústria da seda, que transportou o nome da localidade além-fronteiras e que pode ser conhecido através do Real Filatório.
Chacim continua a ser associada à indústria da sericultura
Na transição século XVIII para o XIX, é criada a fábrica de Fiação e Tecelagem de Sedas, altura em que Chacim passou a fornecer seda torcida, às fábricas de Bragança, seguindo a técnica piemontesa.
A antiga vila oferecia as condições ideais para a implantação deste sector, já que era rica em amoreiras, água e lenha, sendo que, de 1790 a 1794, a produção no Filatório de Chacim triplicou, passando de 140 para 379 operários e de 37 para 57 teares a laborar.
Contudo, após este período de florescimento, a indústria sericícola deparou-se com diversos obstáculos e dificuldades, como a falta de qualidade da seda, escassez de capitais e fracas técnicas de produção, que ditaram o fim deste sector.
Actualmente, os turistas podem visitar o Real Filatório da Seda, onde ainda é possível perceber a estrutura da fábrica. A par deste edifício, existe, ainda, o bairro Operário e o aproveitamento hidráulico, construídos no período Moderno para apoiar o Filatório.