Máscaras e trajes dão cor ao Carnaval
A partir daí, o artesão continuou a transformar pedaços de lata nas máscaras que escondem a cara dos caretos, que também são muito procuradas para decoração.
“Há muita gente que vem visitar a Casa do Careto e faz questão de levar uma máscara de recordação”, salienta José Alves.
A perfeição é fundamental para que a lata não magoe a cara dos mascarados, um pormenor que, segundo o artesão, era descurado antigamente. “Lembro-me que, antes, havia pessoas que ficavam com a cara cheia de sangue depois de tirarem a máscara. Hoje isso não acontece porque tenho alguns cuidados quando as moldo”, acrescenta.
Quando começou a fazer máscaras, José Alves nunca tinha experimentado esta arte. “O que eu queria era que os caretos de Podence alcançassem a projecção que merecem. A partir daí fui aperfeiçoando a técnica”, conta.
A par das máscaras coloridas, também os trajes com franjas de múltiplas cores transformam homens e rapazes em mascarados rebeldes e atrevidos em tempo de Carnaval.
Manuel Teixeira aprendeu com o pai a talhar os fatos dos caretos e, aos 82 anos, continua responsável pela indumentária dos mascarados. O segredo está na experiência em transformar colchas em trajes, que chega a medir pelo seu próprio corpo.
É nas mãos destes artesãos que está o futuro do Grupo de Caretos de Podence, que já percorreu meio mundo com as encenações que marcam os rituais do Nordeste Transmontano.