Região

A Economia e o Petróleo

  • 17 de Junho de 2008, 09:29

Sendo o petróleo a energia principal que faz mover todos os sectores da economia, é lógico que esses mesmos sectores sejam abalados sempre que haja qualquer alteração no custo da matéria-prima. Ora o petróleo é a matéria-prima de uma quantidade enorme de energia que faz movimentar diversos sectores da economia.
Assim, desde os transportes até ao sector da alimentação, tudo terá de sofrer custos adicionais sempre que o petróleo sobe de preço. Tudo isto é facilmente compreensível, já que a sua lógica é de fácil assimilação. O que já não é tão discernível é a razão ou razões que estão subjacentes ao aumento desta matéria-prima. Todos sabemos que o preço dos produtos está na razão directa da sua procura e da sua oferta. Ora o que se verifica é que a oferta é maior que há dez anos atrás, ou seja, há hoje mais petróleo. A procura não sofreu variações de maior na sua relação com a de há dez anos. Então o que faz subir o preço do petróleo? Porquê?
Quando assistimos à subida do preço dos combustíveis, logo culpamos directamente o governo por tal acontecimento, sem nos preocuparmos em saber a razão principal. Será que o governo é culpado? O que mais pode estar por detrás disto?
É verdade que todos sabemos igualmente que os outros países também estão a subir o preço dos combustíveis. Sabemos que a economia mundial anda a reboque do preço do petróleo e da sua cotação em bolsa. E também sabemos que quanto mais as acções da bolsa são procuradas, mais sobe o seu preço, arrastando por tabela ao aumento do crude. Enquanto a procura bolsista for direccionada para o petróleo, este continuará a subir, enriquecendo cada vez mais o bolso dos que estão a apostar nas suas acções, em detrimento de todos os outros sectores. Assim, o custo dos combustíveis têm forçosamente de subir e com eles todos os sectores de produção. A única forma de baixar o preço do crude é haver um desinteresse total pelas suas acções. Na verdade, até os países árabes, produtores de petróleo, estão confusos com estes preços desmedidos.
Ora quando isto acontece, qualquer país sofre largamente na sua economia, consequências terríveis. Mas também é verdade que o governo ganha, já que os impostos sobre os combustíveis estão na razão directa do seu preço. Em Portugal, havendo liberalização do preço dos combustíveis, torna-se complicado o governo controlar ou evitar estes aumentos, a não ser que altere o Decreto que os liberalizou.
Seja como for, o que é incompreensível é que, por exemplo, a Galp dizer que o governo devia baixar os impostos sobre os combustíveis, para ela poder baixar o preço da gasolina e do gasóleo, quando afinal, esta distribuidora teve, só nos primeiros três meses deste ano, 190 milhões de euros de lucro! Isto é que não se compreende. Aliás, com um pouco de racionalismo, chegamos à conclusão possível de que a Galp está a vender gasolina a um preço actual, quando a comprou há dois anos atrás a um preço muito inferior. Ora só assim se explica tanto lucro!
De um modo ou de outro, o que se verifica é que somos nós a pagar cada vez mais cara a gasolina e o gasóleo e o governo nada pode fazer ou pouco faz para evitar isso. Deste modo é fácil explicar uma economia debilitante, que pouco produz, manifestações por todo o lado, descontentamento universal e uma incapacidade enorme de resolução da crise. Ela é universal, mas alguém tem de fazer alguma coisa nesse sentido. A crise de 72 foi grave, mas resolveu-se. Esta está a ter tendencialmente uma durabilidade maior e consequências irreversíveis. É inadmissível que todos os dias haja um aumento do preço do petróleo. O custo do Brent está nos 90 euros. Em poucos dias o barril subiu mais de 10 dólares. Mais concretamente, de quinta para sexta-feira, sem ninguém esperar, só numa sessão, subiu 10 dólares. Isto não se compreende. E apesar de haver queda no preço do petróleo, de vez em quando, desengane-se quem acreditar que o preço dos combustíveis vai baixar. Isso não será para já e se acontecer é como sempre, baixa 1 cêntimo depois de ter subido 10! Como pode uma economia resistir?
Portugal não está a produzir, endividando-se cada vez mais ao estrangeiro. O cumprimento das determinações de Bruxelas, não se consegue fazer e o que se está a fazer é à custa dos impostos e do bolso dos contribuintes que nada podem fazer e já pouco têm para poder pagar. O investimento privado está parado. Os empréstimos bancários estão irresolúveis. As dívidas não são pagas porque não há dinheiro que chegue. O desemprego é cada vez maior. As empresas mudam-se à procura de mão-de-obra barata e impostos mais baixos. Tudo está a desabar! Estamos à beira do abismo. E ainda há quem esgrima com ar de vitória, TGV’s, pontes sobre o Tejo e aeroportos novos! Francamente! Não temos onde cair mortos!
Valha-nos a Selecção Nacional!

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