Regras associadas às zonas protegidas estiveram em debate em Varge
Francisco Alves, do Movimento Defender, Autonomizar e Rejuvenescer Trás-os-Montes considera necessário que haja mais diálogo entre os responsáveis pelas áreas protegidas e a população, de forma a resolver os problemas com que se deparam os habitantes destas zonas. “O que nos preocupa é o facto de haver dois discursos: o discurso das populações que têm queixas e problemas e os discursos oficiais de que vivemos no Reino Maravilhoso. Às vezes o que falta é equilíbrio e diálogo”, considera o responsável. O representante do movimento frisa que a classificação de área protegida, como é o caso do Parque Natural de Montesinho, só faz sentido se contribuir para o desenvolvimento da região e não para acentuar a desertificação dessas zonas. “As áreas protegidas são muito boas e muito bonitas mas é se conseguirem trazer mais gente aqui, resolverem os problemas das pessoas que estão cá e as pessoas viverem felizes e contentes de estarem no seu território. Trás-os-Montes está a perder serviços e, qualquer dia, não há gente”, frisa Francisco Alves. O presidente do Município de Bragança, Hernâni Dias, reconhece que a regulamentação do Parque Natural de Montesinho pode, em certos casos constituir um entrave para as populações e até mesmo para os municípios. “Recordo que, ainda há bem pouco tempo, tivemos uma situação em que, por causa da limpeza dos caminhos, foram levantados autos à Câmara Municipal, e isto não é uma atitude muito simpática. Temos vindo a desenvolver algumas tentativas de alteração do Plano de Ordenamento do Parque Natural de Montesinho, no sentido de tentar eliminar ou colmatar os problemas que surgem”, revela o autarca. Descontente com a legislação inerente ao Parque Natural de Montesinho, no que toca à limpeza de terrenos e caminhos está Francisco Terrão de 73 anos, residente na aldeia de Varge, que foi acusado pelo Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) de ter cometido duas infracções graves por ter cortado ou arrancado 13 azinheiras e por abrir um caminho no terreno agrícola de que é proprietário próximo da aldeia.
O agricultor garante que esse caminho existe há mais de cem anos e que apenas limpou o seu terreno. O processo remonta a 2013 e, entretanto José Terrão foi condenado a pagar 3 mil euros. No entanto a multa podia ir até 85 mil euros, o que deixa este agricultor indignado.”É uma vergonha. O Parque Natural de Montesinho deve ser implantado nas florestas e nos baldios, não nas propriedades. O proprietário deve limpar e limpar aquilo que ele queira”, considera Francisco Terrão. Por sua vez, o porta voz da Associação de Defesa da Sanabria e Carballeda, José Rodriguez Ballesteros, considera que é necessário mudar o modelo de gestão das áreas protegidas, “de forma que sejam os próprios habitantes dessas zonas a definirem as regras”. A par deste debate que contou com a presença de vários autarcas e representantes de associações do distrito de Bragança e do lado espanhol. Decorreu ainda o concurso “Espantalharte”, uma sátira aos problemas com que se deparam as populações do meio rural, representados através de espantalhos. Escrito por Brigantia.