Actrizes preparam-se em Vinhais para filme de João Canijo
Há actrizes que trabalham no campo e cuidam de animais, em Rio de Fornos, ou trabalham no café da aldeia, outras no centro de saúde, numa pastelaria, numa creche, no posto de turismo ou numa fábrica de alheiras na vila.
Anabela Moreira, uma da actrizes, passa parte da manhã em Rio de Fornos a ajudar uma família em tarefas agrícolas.
“Todos os dias vou acomodar os animais, as vacas e os porcos, o que gosto muito, e depois entro no minimercado em Vinhais”, explica a actriz.
De momento, está a concentrar-se em aprimorar o sotaque regional. “Vou tentar perceber o que posso fazer em relação ao sotaque transmontano. Não queria fazer mímica do transmontano, queria tentar perceber algumas subtilezas”, refere Anabela Moreira.
Já Sara Norte vai desempenhar o papel de ajudante da organizadora da peregrinação que vai partir do concelho e começará a ser filmada em Março. A personagem também está a ser preparada em Rio de Fornos, onde a actriz acompanha os habitantes da aldeia que organizam a peregrinação a pé até Fátima e admite que já se habituou às diferenças.
“O meu estágio é muito familiar e acaba por não ser só trabalho, porque criamos laços com as pessoas e acho que também é esse um objectivo de estarmos tão afastado de Lisboa, aprendermos como vivem estas pessoas e conhecer os seus quotidianos. Tenho-me esforçado para participar em actividades culturais que existem aqui e em Vinhais e também há um esforço deles em nos ajudar com a linguagem”, conta a actriz.
Alexandra Rosa trabalha no centro de saúde e Íris Macedo está a estagiar numa pastelaria. Destacam o ambiente familiaridade com que se depararam em Vinhais e explicam como este tempo as tema ajudado a construir as personagens.
“Toda a gente se conhece e isso é uma coisa que não acontece no centro urbano, de onde eu venho”, frisa Alexandra Rosa.
Íris Macedo afirma que “dá para recolher várias experiências, no contacto com as pessoas, percebe-se como falam, como é a vida aqui”.
O realizador do filme João Canijo considera que o método de preparação para a rodagem não poderia ser outro. “Como é que pessoas de Lisboa podem perceber como são os transmontanos sem estar cá? Esse estágio é um trabalho absolutamente fundamental, porque senão as coisas saem ridículas. O guião está a ser todo adaptado a esta realidade e às pessoas serem daqui”, frisa o realizador.
De acordo com o realizador, dos nove dias de peregrinação, três serão filmados em território de Trás-os-Montes, o que deverá corresponder a cerca de meia hora na longa-metragem, que chegará ao grande ecrã em 2017, ano do centenário das aparições de Fátima. Escrito por Brigantia.