Cada vez menos lojas no Mercado Municipal de Bragança
“O motor da máquina foi embora há três meses e ainda não apareceu. No dia 3 de Janeiro disseram-me que vinha uma máquina nova nessa semana mas, até agora, o Município não trouxe nenhuma”, contou o comerciante.
Indignado com a alegada falta de cumprimento do regulamento por parte de alguns lojistas e cansado de ter de deitar peixe ao lixo diariamente, devido ao calor que se faz sentir no corredor do edifício, onde tem instalada uma ilha de peixe congelado, Luís Nogueiro diz “não ter condições para continuar no Mercado Municipal”.
“Há muito calor em cima dos enchidos e do peixe. Todos os dias atiro com camarão ao lixo. Há quem cozinhe aqui dentro e até lave tripas de porco. A câmara sabe e não faz nada. Não há condições para continuar aqui. Isto é como um barco em alto mar, sem comandante, vai para onde quer”, critica.
Dividido entre um espaço destinado a serviços e outro dedicado ao comércio tradicional, este último tem vindo a perder comerciantes.
No local, apesar de alguns lojistas afirmarem que não ter razão de queixa, a maioria não pode dizer o mesmo, sustentando que têm sido vários os comerciantes a abandonar o mercado e que há pouco interesse em dinamizar o espaço.
“Deixaram fechar as lojas e não tentaram negociar com os comerciantes as suas rendas e os clientes dessas lojas deixaram de frequentar o mercado. A iniciativa “Banca na Praça” também nos tira alguns clientes. E o facto de a feira se fazer todas as sextas-feiras também porque há pessoas que preferem comprar na feira do que no mercado”, aponta Ângela Alves, dona de uma loja de produtos regionais
“O negócio já teve melhores dias mas vai-se andando. Nos dias de feira há mais movimento mas durante a semana nem tanto. Eu não tenho razão de queixa. Temos boas condições, tanto para nós, como para os clientes”, considera outra das comerciantes instalada no mercado, Aida Pires.
Confrontado com esta queixas, o município de Bragança esclarece que, relativamente à máquina de gelo, “quando foi comunicada a avaria, foi de imediato contactado o fornecedor para proceder à reparação. No entanto, considerando que é um equipamento com a produção descontinuada, foi necessário encomendar o componente avariado que apenas estava disponível em Itália” e assegura que foi dado conhecimento ao proprietário da peixaria, “de todos os procedimentos tomados e dificuldades tidas”.
Quando à queixa que dá conta de que temperatura ambiente é inadequada à conservação dos alimentos, por escrito, a autarquia sustenta que “apenas as zonas de circulação e áreas comuns estão dotadas de sistema de climatização e ventilação que garantem uma temperatura de conforto ambiente a todos os utilizadores, sendo da responsabilidade dos lojistas a instalação de equipamentos que garantam a conservação dos alimentos frescos”. Escrito por Brigantia.