Região

Jovens filhas de emigrantes portugueses sentiram-se ameaçadas pela comunidade muçulmana em França

  • 24 de Março de 2016, 11:08

Em 2006, Liliana Morais e Cecília Moreira, de 18 anos, frequentavam o ensino secundário e Lara Morais, de 19 anos, tinha já ingressado no ensino superior, todas em Bragança. Em entrevista ao programa da Brigantia “Falar de Nós” confessaram que se sentiram pressionadas pela comunidade de emigrantes muçulmanos e o sentimento de medo era uma constante. “Eu acho que o que originou isto tudo foi o facto de a França estar invadida por imigrantes muçulmanos e magrebinos. Eles estão em maioria, em relação às outras comunidades e querem ficar com o poder. As pessoas têm medo deles”, considerou Lara Morais. As jovens partilhavam as diferenças que sentiram enquanto emigrantes, comparando com os seus pais e avós e davam conta de que a construção de bairros sociais para albergar imigrantes, onde se incluíam imigrantes muçulmanos, estava a contribuir para a sua exclusão em vez de promover a integração. “Quando oiço falar de França aos meus pais e ao meu avô, não tem nada a ver com a França de hoje. Alterou-se tudo. Já não é a mesma França que eles conheceram”, referiu uma das jovens. “Construíram bairros para os muçulmanos e eles não se integraram na vida social francesa. O próprio governo pô-los de parte e sentem-se rejeitados. Os próprios franceses, filhos de emigrantes, não se sentem franceses, porque estão à parte”, acrescentaram as jovens. Numa sociedade cada vez mais multicultural, as jovens davam conta das dificuldades de integração das minorias, em França, nomeadamente em Paris. Pelo facto de serem raparigas, diziam que também sentiram dificuldades pois tinham de pensar até na roupa que vestiam para ir para a escola ou atravessar os subúrbios, sentindo medo, sobretudo da comunidade muçulmana. Quando chegaram a Portugal, dizem que finalmente sentiram o que era a liberdade. “A vida em Portugal é completamente diferente. Há mais liberdade. Não tem comparação”, referiu uma das entrevistadas. As memórias do programa “Falar de nós”, conduzido por Teófilo Vaz e transmitido pela Brigantia em 2006. Dez anos depois, após a recolha destes testemunhos, a discussão sobre as diferenças entre a cultura muçulmana e a cultura ocidental ganha cada vez mais actualidade, numa Europa cada vez mais multicultural. Escrito por Brigantia.

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