Américo Pereira considera que o ensino público deve ser privilegiado em relação ao privado
Américo Pereira diz que nunca fez nada para evitar que esses estudantes frequentem a instituição mas defende que o ensino em escolas públicas deve ser privilegiado. “Nós não temos culpa, nem qualquer responsabilidade, pelo facto desse colégio ficar mais perto do que algumas escolas de Vinhais. Só faria algum sentido se não houvesse ensino em Vinhais, mas há. Se temos, em determinadas aldeias, alunos que vão para uma escola privada e, simultaneamente, alunos que vão para o ensino público, acho que não faz qualquer sentido justificar a opção daqueles que não optam pelo ensino público. A câmara não tem feito nada para evitar que os alunos frequentem o ensino privado, no entanto, não paga os transportes para esse tipo de ensino, porque aqui temos uma resposta educativa”, frisa o autarca.
O também presidente da Comunidade Intermunicipal Terras de Trás-os-Montes considera, no entanto, que o ensino particular e cooperativo se pode justificar no caso de haver uma sobrelotação das escolas públicas e nas instituições propriedade de ordens religiosas, como é o caso do Colégio Ultramarino de Nossa Senhora da Paz, em Chacim, no concelho de Macedo de Cavaleiros. “Em determinadas circunstâncias, tendo em conta os interesses dos alunos, nomeadamente por questões de distância ou sobrelotação das escolas, o que penso que não existe na nossa região, se poderá equacionar a frequência do ensino e privado. Ressalvo também os colégios em que o ensino é direccionado com determinados objectivos, que é o caso das ordens religiosas em que, naturalmente, há um interesse de uma ordem particular, relacionada com a igreja”, acrescenta Américo Pereira.
Já o director do Colégio de Torre D. Chama, Bruno Alfredo Carvalho, acredita que a centralidade da localização geográfica desta escola justifica a sua existência. “Há aldeias de Vinhais e Macedo de Cavaleiros que estão a poucos quilómetros de Torre D. Chama e que distam 30 ou 40 quilómetros da sede de concelho. Não seria muito viável que os alunos tivessem de fazer essas deslocações, quando existe aqui uma escola”, considera o responsável.
O responsável não tem dúvidas que o colégio é uma referência e quem tem a perder com o seu eventual fecho são os próprios estudantes. “Nós substituirmo-nos ao estado e fizemos esta escola, não acharia muito viável que agora viessem dizer que estamos a mais e nos mandassem embora”, lamenta Bruno Alfredo Carvalho.
O colégio de Torre D. Chama existe há 39 anos e tem actualmente cerca de 170 alunos, desde o ensino pré-escolar ao secundário. Para já, a direcção do colégio considera não haver necessidade de apresentar uma providência cautelar contra os cortes no financiamento ao ensino particular e cooperativo, tal como anunciaram já outros colégios. Por sua vez, a Junta de Freguesia de Torre D. Chama está a preparar uma moção em que repudia esta intenção do governo. Escrito por Brigantia.