Vespa da galha do castanheiro detectada em Bragança e Macedo de Cavaleiros
Já em Macedo de Cavaleiros foram detectadas galhas infectadas em Corujas, Edroso e Podence. Manuel Afonso vive em Lisboa e tem castanheiros em Parada, de onde é natural. Esta semana foi à aldeia para inspeccionar a plantação de castanheiros que fez no passado mês de Março e deparou-se com uma galha afectada. O produtor explica que este não é um caso único na aldeia. “Fomos alertados que estavam a aparecer galhas infectadas em determinados soutos. Desloquei-me a uma pequena plantação que tinha feito, de 20 castanheiros, e deparei-me com uma galha com esse problema. Cortei-a, metia-a num saco e queimei-a. Tenho conhecimento de mais pessoas, na aldeia, a quem está a acontecer o mesmo, estando a proceder de igual modo”, contou à Brigantia.
Manuel Afonso explica que o que o preocupa mais não é a galha infectada que encontrou no seu souto mas que possam existir ainda agricultores que não saibam como proceder caso detectem a presença da vespa. “Devem-se queimar as galhas infectadas”, frisa o produtor de castanha. A vespa da galha do castanheiro está aparecer, ate agora, nos castanheiros híbridos, que podem custar o triplo dos normais, por serem mais resistentes à doença da tinta mas que, por serem importados, apresentam um maior risco de contaminação, como explica Abel Pereira, presidente da Arborea Associação Agro-Florestal e Ambiental da Terra Fria Transmontana. “Os castanheiros híbridos são castanheiros vindos de fora, de países onde os ataques de vespa são superiores. São importados de Espanha ou França, onde há mais focos de intensidade de vespa. Nos castanheiros produzidos nos viveiros portugueses, não apareceu, até à data, qualquer ataque de vespa”, constata o responsável.
Nos últimos dias, a chuva não tem ajudado à inspecção dos soutos mas a Arborea sublinha que este é um trabalho importante e vai intensificar o trabalho de campo nos próximos dias para sensibilizar os agricultores para a necessidade de eliminar as vespas, o quanto antes, para evitar que sejam feitas novas posturas de ovos, que podem eclodir no próximo ano. “ Se forem retirados os ovos dos soutos novos, que se encontram nas galhas afectadas, evita-se que haja uma propagação. Do ovo vai sair um adulto, que fará uma nova postura em Junho. Se conseguirem retirar as galhas, estamos a evitar a propagação da vespa. De um ovo sai um adulto que pode fazer cerca de 90 posturas”, lembra Abel Pereira. Para já sabe-se que há galhas de castanheiros afectados pela vespa no concelho de Vinhais, Bragança e Macedo de Cavaleiros. Um número que pode vir a aumentar com as inspecções que estão a ser feitas aos soutos de castanheiros novos. Escrito por Brigantia. Foto: Manuel Afonso.