Influência sefardita no nordeste transmontano inspira romance histórico
Carla Guerreiro, natural de Lagoaça, no concelho de Freixo de Espada à Cinta, explica que a ideia surgiu devido à curiosidade pelo tema, já que também ela tem ascendência judaica. “Este livro surgiu quase como uma homenagem aos meus antepassados e à minha terra de origem, Lagoaça, na tentativa de descobrir muita coisa que faz parte da minha ancestralidade e eu desconhecia. È fruto de um trabalho de investigação bastante apurado, que demorou cerca de um ano e meio a ser feito sobre a comunidade judaica, no distrito de Bragança, em inicio do século XX e havia muito pouca informação sobre o assunto, já que a investigação que se confina ao período entre os séculos XV e XVIII.
Lídia dos Santos é co-autora de outro romance histórico, publicado em 2014, “Os filhos do infortúnio”, que se desenrola na aldeia de Montouto, no concelho de Vinhais. Na apresentação desse livro, aceitou o desafio da colega para escrever o novo romance que, admite que não foi fácil”, referiu a autora.
A influência da cultura sefardita no nordeste transmontano tem vindo a merecer a atenção de vários investigadores e há mesmo um museu dedicado ao tema que se espera que seja inaugurado ainda este ano em Bragança. “Não foi nada fácil fazer este levantamento e foi preciso escrever, investigar e viajar muito. Foi preciso pegar quase ao colo nas pessoas mais velhas, que essas é que sabem mais histórias”, acrescentou Lídia dos Santos.
O professor e investigador António Tiza, lembra que o distrito de Bragança está fortemente marcado pelo povo judaico. “Bragança, não só enquanto cidade mas todo o distrito, toda esta faixa raiana, até Freixo de Espada à Cinta está também marcada pela presença pela actividade deste povo, a que chamamos também de marranos”, constatou.
O livro Terra d’ Encontros vai ser também apresentado em Lagoaça no próximo sábado. Escrito por Brigantia.