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Cuscos bragançanos podem vir a ser registados como património imaterial e como marca

Cuscos bragançanos podem vir a ser registados como património imaterial e como marca
  • 15 de Fevereiro de 2017, 08:24

Os cuscos, que se assemelham ao conhecido “couscous”, em francês,  são pequenas bolinhas de massa em Trás-os-Montes são servidas, essencialmente, como acompanhamento ou até como doce, no caso dos cuscos doces.

 

Em Bragança, ainda há quem tenha uma cuscuzeira em casa e meta as mãos na massa para fazer cuscos.

 

Com origem em países do Norte de África, acredita-se que o hábito de confeccionar e preparar cuscos tenha chegado a Portugal aquando das invasões árabes e que, no caso particular do nordeste transmontano, tenho sobrevivido por herança dos povos judeus.

 

Uma teoria confirmada pela investigação que está a ser levada a cabo pela socióloga Patrícia Cordeiro para a Câmara Municipal de Bragança, de forma a poder inscrever o processo de confecção dos cuscos no Inventário nacional de património Cultural Imaterial que deverá contribuir para a preservação desta tradição.

 

A investigadora acredita, no entanto, que o facto de a cultura do cereal, neste caso, o trigo, ter estado bastante enraizada nesta região, “pode também ter contribuído para a continuidade desta tradição”, já que os cuscos substituíam o arroz ou a batata.

 

Os primeiros registos do trabalho de investigação sobre os cuscos bragançanos foram feitos em Samil.

 

Maria Guilhermina Lopes, natural desta freguesia, a escassos quilómetros de Bragança, é um dos testemunhos deste trabalho. Apesar de admitir que fazer cuscos “é um processo trabalhoso e demorado”, aos 52 anos Maria dá continuidade à tradição que aprendeu com a mãe.

 

“Cá se fazem cuscos” é o nome da exposição patente no Centro Cultural Municipal Adriano Moreira até ao próximo dia 8 de Abril e que reúne os primeiros documentos, fotografias e até cuscuzeiras antigas feitas com barro de Piniela, inventariadas no âmbito deste trabalho. 

Além de estar a tratar do processo de inscrição da tradição de confecção dos cuscos no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial, o Município de Bragança quer também registara a marca “Cuscos de Bragança“ no Instituto Nacional da Propriedade Industrial, a pensar na comercialização do produto. Escrito por Brigantia.

 

 

 

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