O deputado João Almeida do CDS-PP considera que a forma como se está a gerir os investimentos prejudica o desenvolvimento da zona interior do país
“Os governos do partido socialista, de que o primeiro-ministro fez parte no passado, concentraram também o investimento, principalmente nos projectos comunitários, no litoral. Se vamos para grandes investimentos, nós sabemos que os grandes investimentos não são os que são feitos no interior. Exemplo disso, são as três auto-estradas paralelas a ligar Lisboa e o Porto, antes da A4 estar concluída. Essa é uma lógica eleitoralista, porque obviamente fazem o investimento onde há mais votos mas que compromete muito o desenvolvimento do país”, refere.
O representante do CDS é de opinião que a altura de maiores dificuldades foi quando o CDS constituiu governo com o PSD e que agora já era fundamental que houvesse outro modelo de gestão.
“Era fundamental que o país tivesse outro modelo de desenvolvimento que não aquele que teve nos últimos 30 anos. Que se privilegiasse, efectivamente, pequenos investimentos e muito mais espalhados pelo território nacional. Investimentos importantes que à escala de um município como Vimioso, por exemplo, fariam a diferença mas que obviamente poderiam permitir que se generalizasse à escala do país. Se fizer uma ponte em Vimioso não é a mesma coisa que fazer uma ponte no interior e gastasse provavelmente o dinheiro que se poderia gastar em 15 ou 20 pontes em municípios do interior”, acrescenta.
Contudo, João Almeida é optimista e diz acreditar que a “situação não é uma fatalidade”. E dá como exemplo as regiões na zona interior de Espanha, que teve um modelo de desenvolvimento assente na aposta em cidades médias. Essa concentração de investimento em cidades de média dimensão, algumas delas raianas, desenvolveu uma rede de cidades bastante desenvolvidas, que na opinião do centrista Portugal “ainda está longe de ter.” Escrito por Brigantia/ Foto: CDS