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“Conduzir o processo de ensino em função das vitórias e das derrotas eu acho que é um erro estratégico”

“Conduzir o processo de ensino em função das vitórias e das derrotas eu acho que é um erro estratégico”
  • 27 de Maio de 2018, 14:42

Para Tozé Mendes, técnico do Vitória de Guimarães, o processo de formação é um caminho difícil e com muitos obstáculos.

“O processo de formação é um ziguezague constante e há muitas pedras para tirar do caminho. Sabemos de vários jogadores internacionais das camadas jovens que fazem um percurso brilhante e que por várias razões, muitas vezes externas ao futebol, o atleta não chega ao patamar que desejaria”.

O treinador vimaranense, que já trabalhou na Arábia Saudita e foi coordenador da academia Liaoning Whowin na China, considera que ter qualidade não chega para um jovem atleta singrar no futebol.

“Hoje em dia é a mentalidade e a paixão que têm e que levam para o treino e para o jogo que vai fazer a diferença. Podemos ter jogadores menos talentosos e que chegaram ao futebol profissional e jogadores que se espera que tenham um bom futuro e que não conseguem chegar”.

Falar de formação é falar de valores e nesse aspecto Rui Quinta, técnico do Espinho e que já passou pelo F.C. Porto, valoriza a formação de homens e as referências que os mais novos devem construir em detrimento dos resultados.  

“Conduzir o processo de ensino em função das vitórias e das derrotas eu acho que é um erro estratégico, mas cada um tem a liberdade de construir as situações à medida das suas ideias. Nós, treinadores, devemos estar direccionados para ajudar os atletas a chegar onde pretendem. Não é a ganhar ou a perder que eles vão atingir o objectivo, mas sim a jogar e a construir referências que os ajudem a lidar com as diferentes realidades, que vão encontrar, e com as dificuldades no caminho que decidiram trilhar”.

Questionado sobre a realidade das equipas de formação no distrito de Bragança e o facto de não cimentarem uma posição nos nacionais, Rui Quinta diz que se trata de competições distintas sendo por isso necessário fazer uma reflexão sobre os objetivos e o que fazer para os atingir.

“Se calhar temos que ser capazes de ir atrás de outras coisas que neste contexto, no distrital, ajudam as equipas a ganhar mas no nacional não permitem a manutenção. Há que reflectir e pensar como é que as equipas do distrito de Bragança se podem afirmar nos nacionais”.  

O Fórum de Futebol contou ainda com a psicóloga Cristina Gomes que abordou o tema “A Influência do treino em atletas jovens, valores e atitudes”.

A iniciativa foi organizada pelo G.D. Cachão e pelo Município de Mirandela.

 

 

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